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CAPA DA SEMANA

CRÉDITO
Fiscalização por satélite
BC avaliará risco de bancos à distância

Estela Caparelli

Foto: Dida Sampaio/AE
TEREZA GROSSI: Tecnologia para impedir a reincidência de erros famosos como os do Nacional e do Econômico

Uma nova estratégia para descobrir com mais rapidez e precisão os problemas de crédito nos bancos e financeiras começou a ser tocado pelo Banco Central. Um grupo, sediado em Brasília, fiscalizará os bancos à distância para ajudar os outros funcionários do BC que já fazem a fiscalização de rotina dentro das instituições financeiras. Esse é o principal projeto de Tereza Grossi, diretora de Fiscalização, que assumiu há um mês, depois de tumultuada indicação no Senado. “Hoje não há mais possibilidade de ocorrer problemas com crédito como os que ocorreram com o Econômico”, diz Grossi, que há 15 anos trabalha na área mais delicada e criticada do BC. Segundo ela, as duas fiscalizações – uma à distância e outra dentro dos bancos – diminuirão os riscos de crédito. A idéia é que o novo grupo direcione o trabalho dos fiscais que agem diretamente nos bancos por meio de relatórios baseados em dados como posição cambial, risco de taxas de juros e de crédito. Uma das principais fontes de informação será a Central de Risco, divisão que reúne e organiza dados oferecidos pelos bancos sobre os riscos de crédito dos clientes. A Central, criada em 98, está passando por uma reforma que vai ajudar ainda mais o novo grupo de fiscalização. Baseado em um estudo encomendado pelo BC no início do ano e entregue há poucas semanas pela consultoria Barents, toda a base de dados da divisão será reformulada. Dados como classificação de créditos por ramos de atividade e tipo passarão a ser incluídos nos dados enviados pelos bancos ao BC. “Esses dados também serão úteis para a área de análise macroeconômica do BC”, diz Grossi.

A criação do grupo de fiscalização à distância é o principal projeto de Tereza Grossi para este ano e faz parte do processo de reformulação da setor de fiscalização do BC, iniciado em 97. De lá para cá, a área mudou completamente sua forma de atuação. Antes, os fiscais pinçavam amostras de operações na hora de fiscalizar os bancos e usavam longas listagens em papel. Com dados da Central, os funcionários sabem mais claramente por onde começar seu trabalho. Feito agora, claro, com notebooks. Sobre a longa lista de críticas sobre a fiscalização do BC em casos como o Econômico e Nacional, ela rebate: “Estávamos em um processo de mudança que não acontece do dia para noite.” Agora, Grossi tem uma ambição: transformar a área de fiscalização em um modelo na América Latina. Quando isso ocorrer, o BC estará livre de vexames como o da semana passada, quando, outra vez, se detectou o sumiço dos volumes de processo do Nacional.

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