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FUSÃO BILIONÁRIA Juliana Simão e Ricardo Osman, de Madri
O sorriso aí ao lado diz tudo, não? Ao engolir o terceiro mais visitado endereço de busca na Internet, o espanhol Juan Villalonga conseguiu criar a quinta maior empresa de Internet do mundo, a Terra-Lycos. Ela terá um valor de mercado de US$ 30 bilhões e audiência estimada em 40 milhões de pessoas, em 37 países. Não bastasse essa exuberância estatística, a fusão deu uma recarga de prestígio no próprio presidente da Telefónica, que andava cogitado para engrossar as estatísticas de desemprego na Espanha. É por isso que Villalonga sorri desbragadamente. O executivo madrilenho de 47 anos foi acusado de dirigir a empresa a partir de Miami e de ser o responsável pelo fiasco da fusão entre a Telefónica e a operadora holandesa KPN. Enquanto essas negociações fracassavam na Europa, no início deste mês, ele estava na Flórida com sua namorada mexicana, que estava prestes a dar a luz. Eu estou onde está o dinheiro, justificou na época. Por causa da moça ele perdeu vários quilos, mudou o penteado e passou a abusar do jatinho da empresa. Na quarta-feira, 17 absolvido de todos os pecados pelo orgulho nacional espanhol, ele era festejado como El Reconquistador na primeira página dos diários de Madri. Biografias à parte, o que correu na terça-feira, 16, foi mais um capítulo grandioso no processo de fusões e aquisições que está moldando a Internet. Logo após o fechamento do pregão de Wall Street, a provedora espanhola Terra Networks, que tem por trás a Telefónica, confirmou em Nova York o boato que circulava há dias: a Terra, com 2 milhões de cadastrados, comprava a Lycos, com 33 milhões de usuários (que aliás, já havia comprado antes uma dúzia de outros sites menores, como Tripod e Angelfire). Será uma das maiores empresas de Internet do mundo, com capital inicial de US$ 3 bilhões, comemorou Villalonga, que agora passa a acumular a presidência da Telefónica e da Terra-Lycos. O valor da transação apenas razoável, segundo a lógica marciana do mercado foi de US$ 12,5 bilhões. Com a fusão, fecha-se a cadeia de valor da empresa, explica Yves Speeckaert, diretor da KPMG Consulting. O portal está completo, de acesso a usuários a conteúdo final. Mas o que estes bilhões de dólares compraram? O acordo garante à Terra penetração no maior mercado de Internet do planeta, os Estados Unidos. Além disso, a Lycos é o passaporte para nada menos que 11 países europeus no qual a marca Terra não orbitava. Para a Lycos, a operação era inevitável, sua única saída para brigar com rivais consagrados como AOL e Yahoo! Para a Telefónica, o acordo significa muito mais que aumento patrimonial. Trata-se de se posicionar com firmeza no universo criado pela convergência das tecnologias de informática e telecomunicações. O terceiro maior conglomerado de mídia, Bertelsmann, entra também como fornecedor de conteúdo. Antes mesmo da fusão, o valor de mercado da Lycos disparou em 20% e os da Terra e Telefónica caíram 6%. É um movimento tradicional nestas operações, comenta Fábio Niccheri, sócio-diretor da Price. A lógica? Ações negociadas em bolsa têm um valor diário que não inclui o prêmio de controle, ou domínio sobre a empresa. Sempre que há um anúncio de compra, os acionistas esperam receber ofertas bem maiores, lembra. Por outro lado, um investimento vultoso faz com que o mercado tema pela lucratividade da empresa compradora.
Come-come. Em valores totais, esta última fusão entrará na lista das 15 maiores já realizadas no mundo bem abaixo dos acordos firmados entre AOL/TimeWarner (de US$ 166 bilhões) ou mesmo entre Mannesmann e Vodafone (US$ 195 bilhões), por exemplo. Historicamente, quatro das dez maiores fusões mundiais ocorreram no setor de telecomunicações. Daqui para a frente, o movimento de come-come na Internet deverá ser ainda maior. No Brasil, a tendência não é diferente. Aumentam os boatos de possível fusão entre UOL e AOL. O mercado estava fragmentado em empresas que utilizavam o mesmo modelo de negócios, conseguiam investimento e acabavam no ar. Fusão é consolidação, explica Rogério Brecha, sócio-diretor da Ernst Young. É a única forma de reduzir custos, aumentar clientes e poder de mercado, diz ele. A nova economia não é diferente da velha, só que os valores espantam. Nada que tire o sorriso de Villalonga. |
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