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GOVERNO FEDERAL
EM DEFESA DA EMBRAER
“Truculenta”. Essa foi a classificação nada diplomática dada pelo chanceler da República, Luiz Felipe Lampreia, à atitude do governo do Canadá de querer impor sanções no valor de US$ 4,9 bilhões às importações brasileiras. Quem começou essa briga foi a canadense Bombardier, que acusa o Brasil de subsidiar de forma desleal as exportações da Embraer através do Proex. Acontece que o Canadá também tem um programa de apoio ao comércio exterior, chamado Canada Account. O governo brasileiro critica o pacote canadense por ser um programa sigiloso, o que impede o acompanhamento das operações de subsídio. A pressão da Bombardier começou porque a Embraer avançou no mercado de jatos regionais. O ERJ-145 é um sucesso mundial, desbancou os concorrentes e foi o principal responsável pelos R$ 3,3 bilhões faturados pela empresa no comércio exterior. A cifra colocou a companhia na posição de peça-chave das exportações brasileiras. Diante disso, o governo não pensou duas vezes, saiu em defesa da empresa e já avisou que não vai recuar. Segundo o chanceler, a exigência canadense pode prejudicar as relações comerciais entre os dois países. Bem feitas as contas, o primeiro-mundista Canadá tem mais a perder com a briga do que o emergente Brasil. No ano passado, o saldo da balança comercial foi positivo para o lado canadense. Foram US$ 500 milhões exportados pelo Brasil contra US$ 970 milhões em produtos importados. Isto é, o Canadá ficou no azul em US$ 470 milhões. Um abalo pode pulverizar esse saldo positivo.

BOZANO
NA MIRA DO BC E DA RECEITA
O ex-baqueiro Júlio Bozano está sob fogo cruzado. Seu antigo banco, o Bozano, Simonsen – vendido ao espanhol Santander por US$ 1,8 bilhão – foi multado pela Receita em R$ 1 bilhão, por sonegação fiscal. E mais: ele foi acusado pelo empresário Yssuyuki Nakano – em entrevista à Folha de S.Paulo – de manter um esquema de caixa-dois no banco. Júlio nega as irregularidades e exibe bilhete deixado pelo ex-vice-presidente do banco, Fernando Guerreiro – que se suicidou em 1993 –, onde este assume ter autorizado empréstimo de R$ 40 milhões a Nakano. Para piorar o cenário, auditores do Santander acharam nos livros do banco “operações ruinosas” que somam R$ 300 milhões. A multa e os créditos podres superam a garantia de US$ 500 milhões depositado por Júlio, na assinatura do contrato de venda. Há quem aposte no mercado que a confusão pode fazer “micar” o negócio com os espanhóis.

BANCOS
EDUCAÇÃO DE CAIXA ALTA
Concorrentes históricos, nove dos principais bancos estrangeiros presentes no Brasil estão juntando suas forças para investir no ensino. Eles anunciaram a criação da Aliança Social pela Educação, uma ONG para financiar projetos na área. O primeiro deles está definido: é o Banco na Escola, que vai ensinar diretores, professores e pais a fazerem a gestão financeira de escolas públicas. BankBoston, Merryl Linch, JP Morgan, Bandeirantes, BBVA, Lloyds, Citibank, Chase Manhattan e ABN AMRO Bank vão investir R$ 50 mil cada na primeira fase do programa, que deve atingir escolas da zona leste de São Paulo.

CIFRÕES

312 mil reais foi o valor de venda da vaca nelore Amália de Santa Nice, de 3 anos e 5 meses. Com isto, Amália transformou-se no animal mais caro do País.

40 milhões de dólares foram arrecadados, em apenas 10 dias, com a exibição do filme “U-571” estrelado pelo cantor Jon Bon Jovi nos cinemas americanos. A cifra representa um novo recorde de bilheteria americano.

10,3 milhões de reais é quanto o ex-governador do Acre, Orleir Cameli, e o empresário Abraão Cândido terão de pagar à tribo Axaninca. Eles foram condenados por retirar madeira dos índios.

27,6 mil reais vão ser pagos a um dinamarquês, cuja identidade não foi revelada, que ganhou ação movida contra um hospital público daquele país. A quantia refere-se à perda de esperma coletado do paciente após ele ter descoberto que sofre de câncer de testículo.

28,6 milhões de dólares foi o preço de venda alcançado pela tela “Natureza morta com tulipas”, de Pablo Picasso. O quadro, pintado em 1932, retrata a amante do pintor, Marie-Thérese Walter.

AGRICULTURA
PACOTE DE R$ 2,5 BI
O governo resolveu abrir o cofre para tentar esvaziar o MST. Na quarta-feira, 10, foi anunciado um pacote no valor de R$ 2,5 bilhões para os projetos de agricultura familiar e reforma agrária. Os recursos serão usados para atender às reivindicações da Contag, entidade tida pelo governo como mais amistosa que o MST. Dentre as propostas constam: criação de um fundo de aval para as dívidas agrícolas e redução de 16% para 3% dos juros de empréstimos do Pronaf.

MICROSOFT
DIVISÃO À VISTA
Diante da inevitável divisão da Microsoft, a empresa cedeu às pressões da justiça. A companhia apresentou uma proposta de autopunição na tentativa de se manter intacta. Entre as sugestões estão: a liberação de códigos do Windows, o pagamento dos processos dos 19 estados e a venda do Windows para empresas que trabalham com outros softwares. Para os procuradores estaduais a proposta é insuficiente. O Departamento de Justiça dos EUA vai se pronunciar dia 17. Mas a decisão final é do juiz Thomas Jackson, que vai divulgá-la no dia 24. A divisão dará origem a duas empresas. Uma para produzir o pacote de programas Office e outra para o sistema operacional Windows.

ILOVEYOU
CRIANCICE CARA
A criação do vírus ILOVEYOU, que já teria causado prejuízos de US$ 10 bilhões, pode ter sido um acidente. E mais: a propagação seria fruto de uma criancice. Essa é a defesa adotada pelo estudante filipino Onel Guzman, apontado como um dos autores do vírus. O outro é Michael Buen, amigo dele. Acidente ou não, para as empresas prejudicadas ILOVEYOU deixou de ser declaração de amor.

CÓDIGO AMBIENTAL
PROJETO POLÊMICO
Deram em nada os protestos de ambientalistas, em frente ao Congresso Nacional. Na quarta-feira 10, a Comissão Mista de Meio Ambiente aprovou projeto que prevê mudanças no Código Florestal. A principal delas é a redução de 80% para até 20% das áreas de preservação em cada propriedade. André Lima – assessor jurídico do Instituto Sócio-Ambiental – diz que isto vai comprometer o ecossistema amazônico. Segundo ele, a regra atual já permite a exploração sustentável da região. Prova disto é que as madeireiras faturam R$ 3 bilhões e recolhem R$ 300 milhões de ICMS por ano.

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