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CAPA DA SEMANA

INDÚSTRIA GRÁFICA
Melhoramentos em busca do azul
Fabricante de papel procura parceiros no exterior para sair da crise

Juliana Almeida

Foto: Ciete Silvério
INVESTIMENTO: A empresa destinará este ano R$ 50 milhões para modernização e ampliação

A Companhia Melhoramentos de São Paulo, que já foi um dos maiores grupos nas áreas gráfica, editorial e de fabricação de papel, está tentando sair da crise financeira que se arrasta por vários anos. Sua liderança hoje se restringe aos lenços de papel, com 43% do mercado, segundo dados da Nielsen. Além de lenços, a Melhoramentos fabrica papel higiênico, toalhas de papel, guardanapos, e imprime livros, dicionários, revistas e folhetos. Para recuperar o tempo perdido, Alfried Plöger, presidente do Conselho de Administração, está buscando ajuda lá fora. Por isso, transformou todas as unidades de negócios em empresas independentes. O objetivo: arrumar parceiros estratégicos que tragam conhecimentos e capital para cada área. “Esta será nossa chance de crescer no mundo globalizado e minimizar nosso prejuízo”, reconhece Plöger.

A estratégia de Plöger já saiu do papel. Na primeira parceria internacional de porte, a Melhoramentos fechou um contrato de exclusividade com a canadense Quebecor, a maior gráfica do mundo, com vendas de quase US$ 5 bilhões. Desenhado no fim de 1999, o acordo dá à Gráfica Melhoramentos o direito de imprimir as encomendas dos clientes mundiais da Quebecor destinadas ao mercado brasileiro. Ou seja, a gráfica poderá atender aqui empresas como Avon, Carrefour, National Geografic e Reader´s Digest. O contrato inicial será para publicação no País de alguns títulos da Reader´s Digest, hoje impressos na Espanha, no México e na Itália. “Vamos lançar de 10 a 15 títulos, com tiragem de 20 mil a 300 mil exemplares cada”, diz Plöger.

Mas é na fabricação de papel absorvente que a Melhoramentos mais precisa de um parceiro. Sua subsidiária Melpaper apresenta o pior desempenho do grupo – um prejuízo de R$ 30 milhões no ano passado. Em 1996, Plöger iniciou uma negociação com a Svenska Cellulosa (SCA), terceira maior companhia de papel e celulose da Escandinávia. “Estava tudo pronto para ser assinado em janeiro de 1999, mas a crise cambial atrapalhou tudo”, explica Plöger. Pelo acordo, a empresa sueca compraria 50% da Melpaper, por meio de um aumento de capital. A divergência, segundo ele, foi no preço. A SCA queria ter a vantagem da desvalorização do real, mas a Melhoramentos não quis abrir mão do valor antes acordado. De acordo com o presidente, as conversas continuam, agora também com um interessado canadense e um americano. Mas a SCA tem a preferência, pela possibilidade de colocar a Melhoramentos no segmento de absorventes higiênicos e de fraldas. O que também pode ter atrasado o negócio é o processo movido pelos acionistas minoritários da Melpaper contra a empresa. Eles discordaram do aumento de capital em 1998 e, como não foram ouvidos pela companhia, entraram na Justiça.

Enquanto isso, a Melhoramentos resolveu colocar em prática seu plano de investimentos. Na falta do parceiro estrangeiro, recorreu ao BNDES. Neste ano, gastará R$ 40 milhões para duplicar a produção, para 100 mil toneladas, e R$ 10 milhões para modernizar a gráfica e a editora. Os próximos passos dependerão da conclusão da aliança. “Nossos acordos visam capital aliado a know-how”, diz Plöger. Apesar da receita consolidada em 1999, de R$ 255 milhões, ter sido 10% superior à do ano anterior, a companhia teve um prejuízo de R$ 26 milhões. E não é a primeira vez que a Melhoramentos está no vermelho. No ano passado, o rombo era o dobro. Os problemas financeiros, entretanto, não fizeram a Melhoramentos incluir a palavra “venda” no seu vocabulário. “Vender, de jeito nenhum”, afirma Plöger.

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