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CAPA DA SEMANA

PRIVATIZAÇÕES
Joio e trigo em leilão
Bancos estaduais vão para o martelo

Foto: Jornal do Maranhão
BEM: BC precisou pressionar nacionais a participarem do leilão para o banco não ficar sem comprador

Enquanto não sai o leilão do Banespa, a jóia da coroa dos bancos estaduais, as grandes instituições privadas estão de olho nas outras pedras do lote – entre as quais há jóias de brilho menor e até alguns pedregulhos. Quem comprar bem poderá se consolidar em Estados ricos como o Paraná, novo pólo da indústria automobilística, ou o Rio Grande do Sul, porteira do Mercosul. O próximo a ir para o martelo, em junho, é o Banco do Estado do Maranhão (BEM), que corria o risco de ficar sem comprador se o BC não pressionasse os grandalhões nacionais a entrar no leilão. Em setembro, é a vez do Banestado, do Paraná. E, em outubro, o Paraiban, da Paraíba.

Analisando alguns números, percebe-se como esses bancos são complicados. O Paraiban tem somente oito agências e, segundo o Banco Central, fenomenais 420 funcionários. Pouco menos do que o Banco do Maranhão, que tem estrutura nove vezes maior (76 agências). “São bancos pequenos e mal localizados, que só interessam pelos créditos fiscais que carregam”, diz Pedro Gomes, da Fitch IBCA. É que eles podem ser abatidos do IR do comprador, barateando a aquisição.

Três bancos mais interessantes estão na fila da privatização: o Banestado, do Paraná, o Besc, de Santa Catarina e o Banrisul, do Rio Grande do Sul. “O governo poderá arrecadar R$ 1,8 bilhão com essas vendas”, calcula Erivelto Rodrigues, diretor da Austin Asis. É mais do que o R$ 1,7 bilhão obtido até agora com a venda de seis bancos estatais (contra um gasto de R$ 95 bilhões no Proes, o programa de saneamento das instituições regionais). “Há muitos interessados, mas os estrangeiros têm mais a ganhar com as aquisições”, diz Rafael Guedes, da Fitch IBCA. Dos recém-chegados ao País, o BBV tem muita concentração de agências no Nordeste e no Sudeste, enquanto o Santander e o HSBC têm presença maior nas regiões Sul e Sudeste. “Estamos de olho no Banestado”, garante o executivo de um banco espanhol. A venda do Banestado está marcada para setembro. A do Besc, para daqui a dois anos. A privatização do Banrisul, defendida pelo governo federal, é repudiada pela administração petista. Vendê-los depois do Banespa é uma maneira de empurrar seus preços para cima. Quem não levar o banco paulista será tentado a participar dos leilões, para não perder escala e passar de caçador a caça.

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