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FINANCIAMENTO Ernesto Bernardes
A fila de empresas diante do caixa do BNDES deve deixar cada vez mais gente esperando do lado de fora. O banco, que por muitos anos foi o grande financiador de longo prazo para as empresas brasileiras, está abrindo a torneira somente para um grupo cada vez mais específico de projetos. Embora continue sendo o maior cofre disponível no País com R$ 20 bilhões para empréstimos este ano ele vai liberar dinheiro em proporções cada vez menores. E a senha para o caixa-forte é exportação. O banco funcionará, cada vez mais, como o Eximbank, diz seu presidente Francisco Gros, referindo-se à agência de fomento ao comércio exterior dos Estados Unidos. Este ano, apenas para financiamento direto de exportações o BNDES deve liberar US$ 3,3 bilhões 50% a mais que no ano passado e 100 vezes mais que no início da década de 90. Mas o restante da verba do banco também está condicionada à palavra mágica. Estamos dispostos a ajudar na reestruturação de setores como o petroquímico, siderúrgico, de papel e celulose e mineração, explica Gros, porque são estratégicos para o País no mercado global. Não se trata apenas de uma nova diretriz de política industrial. Há um objetivo menos abstrato, que é vitaminar a balança comercial, constante fonte de preocupações para a equipe econômica. O Brasil exportou no ano passado US$ 48 bilhões, valor ridículo para um país de seu porte, e fechou a balança com déficit de US$ 1,2 bilhão. O BNDES quer que, até 2002, as exportações batam nos US$ 100 bilhões. A lista de objetivos do banco continua enumerando prioridades como atuação social e geração de empregos. Mas os parágrafos seguintes também estão claros. Se nossa única função fosse gerar empregos, financiaríamos apenas projetos de construção civil, observa Gros. Precisamos transformar o País num competidor global. Essa atitude gera em parte da área técnica do BNDES um desconforto em relação a Gros, de quem diz-se nos corredores que pensa como banqueiro, em oposição a seus antecessores, desenvolvimentistas. As próximas cartadas do banco na área já estão prontas. Haverá um fundo para atrair recursos para empresas exportadoras em conjunto com o BID e a Secretaria de Comércio Exterior. Uma linha de crédito para exportação de software. E financiamento para que grupos de pequenos e médios exportadores se juntem em consórcios, para ganhar escala. Também estamos buscando maneiras de entrar em grandes mercados potenciais, como China e Índia, explica o diretor financeiro da instituição, Isaac Zagury. Hoje nossas exportações estão muito concentradas na América Latina. |
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