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ECONOMIA Simone Goldberg
Um morcego quase roubou a cena na solenidade de comemoração dos 70 anos da professora Maria da Conceição Tavares. A homenagem à crítica mais intransigente e passional do oficialismo econômico aconteceu no Salão Pedro Calmon, no Fórum de Ciências e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na noite de segunda-feira 8. Organizada pelo Conselho Federal de Economia, pelo Instituto de Economia da UFRJ e pela bancada federal do PT, a reunião teve um clima de grande festa de esquerda – à qual não faltaram sacerdotes do pensamento reformista como Celso Furtado, João Manoel Cardoso de Mello e o próprio José Serra, o tucano que melhor voa em céu oposicionista. O auditório estava tomado por cerca de 250 pessoas, a maioria estudantes, que deixaram de prestar atenção no discurso da homenageada para olhar as acrobacias aéreas do quiróptero. Eram cerca de nove da noite e Conceição mal começara a falar. “Nossa, o que é isso? Esse pombo devia ser branco”, disse, antes de descobrir a peluda identidade do penetra. “Contra morcego, só mesmo a coruja de Minerva”, completou. Conceição se referia à deusa grega da sabedoria. Quem a conhece, sabe que Minerva, no caso, era ela própria. Seu discurso, de improviso, foi curto. Mas Conceição teve tempo de dizer que o governo Fernando Henrique deveria se preocupar em criar um projeto nacional que diminuísse as desigualdades em vez de usar a lei de segurança nacional contra movimentos sociais. A agitação com os rasantes do morcego foi tornando sua voz inaudível e ela, bem-humorada, encerrou a palestra. Mas a professora portuguesa aposentada e ex-deputada petista não foi a única a ocupar o microfone. Os petistas José Dirceu e Aloísio Mercadante também estavam lá para malhar a política econômica. Conceição recebeu flores dos estudantes da universidade e se emocionou. Ganhou também uma placa comemorativa, entregue pelos organizadores da homenagem. “A intenção não foi fazer um encontro da oposição, mas celebrar o aniversário de alguém com coerência de princípios”, diz Luis Antônio Elias, diretor do Instituto de Economia da UFRJ. Saiu melhor do que a encomenda. |
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