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CAPA DA SEMANA

IPO
Quem arrisca agora?
Empresas de tecnologia freiam lançamento de ações

Lino Rodrigues

Foto: Ciete Silverio/Arte: Hitomi
NERI, DA MÓDULO: Mudança para desvincular empresa da Internet

A festa das ações de tecnologia na Nasdaq, a bolsa que concentra os papéis das empresas da chamada nova economia, durou pouco. As sucessivas quedas no índice – que despencou dos 5 mil pontos, recorde histórico, para a média de pouco mais dos 3 mil pontos – acabaram adiando o sonho de muitas empresas que viam no IPO (a Oferta Inicial de Papéis) a melhor fórmula para uma valorização meteórica e um crescimento rápido. Com exceção de nomes reconhecidos no mercado, analistas acreditam que a maioria das empresas que estava se preparando para lançar ações na Nasdaq voltou atrás e engavetou o projeto. No caso das empresas brasileiras que sonhavam com a bolsa eletrônica, os planos prosseguem mas em ritmo que lembra uma tartaruga caminhando no asfalto. Submarino, Módulo e até o Universo Online, que chegou a contratar uma equipe especializada em abertura de capital, colocaram suas barbas de molho. Todas elas sonhavam com uma estréia bem-sucedida na bolsa americana até o final deste ano.

“Ninguém vai sair para um IPO neste momento de instabilidade”, admite Antonio Bonchristiano, do Submarino, uma das maiores lojas virtuais do País. No caso da Módulo, que produz programas de segurança para a rede, a instabilidade fez com que a empresa retirasse de seu perfil que será entregue a investidores americanos a expressão “alta tecnologia de Internet”. Em seu lugar será ressaltado o fato de a empresa ter experiência de 15 anos na área de tecnologia e, o mais importante, lucro operacional e um projeto consistente. “Mudamos o nosso enfoque para nos adaptarmos à nova realidade”, diz Fernando Neri, presidente da companhia, cujo IPO da Módulo está previsto para o primeiro trimestre de 2001.

Foto: Biô Barreira
SCHYMURA, DA IDEIASNET:
Aposta na Bovespa para fugir da instabilidade da Nasdaq

A pequena alteração pode fazer toda a diferença. “Daqui para frente todos os IPOs terão que satisfazer exigências mais rigorosas”, alerta Antonio Wever, vice-presidente do banco JP Morgan no Brasil e responsável pela área de Internet da instituição. No caso da Nasdaq, segundo Wever, ninguém dará atenção a empresas que não tiverem receita de pelo menos US$ 100 milhões/ano e a chance de começar a obter lucro já em 2001. O primeiro requisito praticamente elimina todos os candidatos brasileiros.

A opção, então, seria abrir o capital no mercado de ações brasileiro. Empresas como a IdeiasNet, que possui investimentos em 17 companhias de Internet, só estão esperando o sinal verde da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fazer a oferta pública de papéis na Bolsa de São Paulo (Bovespa). “A força de ser a primeira empresa de Internet a lançar papéis no Brasil vai fazer a diferença”, aposta Cassius Schymura, presidente da companhia. Os concorrentes não são tão otimistas. “Não é o momento de bancar o herói”, alerta Luiz Fraga, presidente da Latininvest, que administra US$ 1,2 bilhão em recursos no Brasil. A empresa, que tem participação em mais de 70 companhias brasileiras, sendo 11 de tecnologia, também está em processo de abertura de capital na bolsa paulista, mas, pelo menos por enquanto, não fará a oferta pública de ações.

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