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MEGAPROJETO
O Homem de Jari
Sérgio
Amoroso tem o desafio de levantar o projeto amazônico
atolado
em dívidas de US$ 400 milhões
Ricardo
Osman
| Foto:
Gustavo Lourenção |
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AMOROSO:
Empresário da velha economia se embrenha em novo
desafio
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Ao
desembarcar na Rodoviária de São Paulo, sem
nenhum tostão no bolso, o estudante de Birigüi
(SP) deparou-se, em 1973, com um dos maiores desafios de sua
vida: aos 18 anos, estava em uma cidade grande, sem emprego
ou amigos, e 500 quilômetros distante da família.
Seis meses depois chegou a pensar em voltar para casa. Mas
o paulista Sérgio Antônio Garcia Amoroso persistiu
e foi em frente. Fez fortuna com caixas de papelão
e fundou, na década de 80, o Grupo Orsa, do setor de
papel e celulose, cujo faturamento previsto para este ano
é de R$ 350 milhões. Orgulhoso empresário
da velha economia, hoje aos 45 anos ele se embrenha em novo
desafio. Desta vez, às margens do rio Jari, em meio
a florestas, máquinas obsoletas, dívidas em
dólar e um lugarejo de 70 mil habitantes. Amoroso assume
esta semana a presidência do Conselho de Administração
do Jari, companhia que adquiriu em fevereiro por apenas 1
real. A fabricação de celulose (produto usado
na confecção do papel) na Amazônia foi
vislumbrada nos anos 60 pelo milionário americano David
Ludwig. Ele comprou 1,6 milhão de hectares de floresta
e trouxe do Japão a fábrica completa. Mas seus
planos atolaram nas dificuldades.
Hoje, o Jari flutua em dívida de US$ 400 milhões
e suas máquinas são movidas por energia de velhas
caldeiras. Com ímpeto de desbravador, o contador de
Birigui quer refazer o Jari, aumentar a produção
de celulose em 20 mil toneladas anuais (o que elevaria o total
para 300 mil toneladas/ano) e torná-lo viável
em uma década. Ele não fala em lucro. Isso,
admite Amoroso, os acionistas não vão ver tão
cedo. Vamos trabalhar duro porque os custos sobem a
toda hora. Vencer obstáculos faz parte do cotidiano
de Amoroso desde o seu início em São Paulo.
Depois de quase desistir, ele trabalhou em uma indústria
de caixas, como assessor do dono. Filho de um arrendatário
de terras, estudara em bons colégios e logo passou
a transformar papelão em moeda ao tornar-se fornecedor
da Nestlê e Sadia. Crescemos na década
de 80, a que dizem ter sido a década perdida,
avalia.
Na nova aventura, Amoroso conta com novidades que Ludwig não
dispunha. A comunicação dos gerentes no Pará,
por exemplo, se dá via satélite. Sei qual
a produção diária de celulose,
revela. Olhando para trás, ele faz ressalvas à
iniciativa do americano. O conceito do projeto estava
certo, mas Ludwig fez coisas sem pensar. Amoroso diz
que ao instalar a fábrica na Amazônia, o americano
teve dois trabalhos: um de retirar a floresta e outro de plantar
as árvores para a produção da celulose.
Melhor seria se fosse na Bahia, opina.
Sua mulher, Bernadete de Lourdes, está ao seu lado
na expedição amazônica. Ela é presidente
da Fundação Orsa, que tem papel relevante no
contrato assinado em fevereiro. A entidade vai ficar com 1%
do faturamento, que este ano deve ser de US$ 200 milhões,
e tem a obrigação de investir o dinheiro na
miserável Monte Dourado, onde está a fábrica.
Esta proposta agradou a credores como o BNDES e o Banco do
Brasil. Todos eles, incluídos os irmãos Guilherme
e Mário Frering, os ex-donos, vão repartir 80%
da geração de caixa nos próximos 10 anos
e têm a garantia de receber US$ 112 milhões do
Orsa se nada der certo. O empresário vislumbra, em
plena era digital, um aumento no consumo de papel. Ao
contrário do que todos pensavam, os estudos mostram
que a demanda vai crescer, diz. O preço da tonelada
de celulose saltou de US$ 490 para US$ 640 nos últimos
doze meses e 85% da produção do Jari já
é exportada. O tempo é que vai dizer se o pesadelo
de Ludwig tornou-se o sonho do paulista de Birigüi.
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