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ENTRETENIMENTO
Disney à brasileira
Gigante
lança no País novo canal de TV, portal na Web
e planeja filme sobre a terra de Zé Carioca
Mariza
Cavalcanti
| Foto:
Gustavo Lourenção |
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ENRICO
RASTELLI: Brasil é prioridade
para a companhia
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A
Disney vai voar alto no Brasil. O País foi eleito para
os próximos anos como um dos mercados prioritários
da lendária indústria de entretenimento, dona
de um faturamento anual superior a US$ 23 bilhões.
No elenco de projetos previstos, estão o lançamento
do
Disney Channel, um canal de televisão a cabo com programação
exclusiva da companhia; a criação de um portal
na Internet sobre a indústria cinematográfica
mundial e a apresentação de proposta para produção
de um filme baseado em uma história brasileira. O entusiasmo
dos executivos da matriz pelo Brasil tem explicação,
segundo Enrico Rastelli, diretor-geral da Walt Disney Company
(divisão de vídeo e produtos de consumo). A
estabilidade econômica está permitindo uma expansão
consistente da base de consumidores. Esse fato garantiu ao
País uma atenção especial da Disney,
afirma. O interesse se apóia em dados ainda mais apetitosos.
Historicamente, o Brasil tem representado quase a metade das
receitas do mercado latino-americano. Em visitação
aos parques do grupo de Mickey Mouse nos Estados Unidos, o
público brasileiro ocupa o quarto lugar, atrás
apenas dos próprios americanos, dos ingleses e dos
canadenses.
As aventuras da Disney no Brasil se tornaram mais emocionantes
desde que a companhia reestruturou aqui suas operações,
seguindo os moldes internacionais. De 1994 para cá,
a Disney passou a assumir o controle dos negócios empreendidos
com sua marca em todo o mundo. No mercado brasileiro, por
exemplo, a Redibra e a Abril Vídeo, que a representavam,
perderam a posição. Reticente em relação
à divulgação de seus números,
a empresa prefere não abrir o jogo sobre como os negócios
andaram depois das mudanças. Mas, segundo o mercado,
a estratégia foi bem-sucedida em áreas como
a de produtos de consumo, que pôde celebrar um aumento
de 100% na comercialização dos artigos licenciados
da marca de 1997 ao ano passado. Entre outubro de 1998 e setembro
de 1999 (ano fiscal americano), a companhia colheu (em royalties)
perto de US$ 50 milhões dos US$ 600 milhões
de faturamento total dos 90 licenciados nacionais. A receita
mundial da Disney nesse setor chegou, no mesmo período,
a US$ 4 bilhões.
Os resultados positivos parecem ter encantado a matriz. O
Disney Channel sucesso absoluto nos Estados Unidos
e países europeus há mais de oito anos
deverá estrear em toda a América Latina, em
língua espanhola, ainda em 2000. No Brasil, que terá
direito a versão em português, o projeto está
sendo negociado com uma rede de televisão a cabo. A
iniciativa não inviabiliza o Disney Club, programa
transmitido pelo SBT desde 1997. Pelo contrário, o
contrato acaba de ser renovado. Para o público internauta,
boas novas: a empresa deu aval à idéia de criação
de um portal com notícias sobre a indústria
cinematográfica. A companhia já estaria em busca
de uma empresa para desenvolver o espaço. Pelo cinema
também bate o coração de Rastelli. Esse
italiano radicado no Brasil há 40 anos quer promover
o desenvolvimento de um roteiro para um filme inspirado numa
história brasileira. Tenho a intenção
de apresentar um tema para desenho animado ou filme. Mas não
será nada exótico. O Brasil é mais do
que isso, ressalta. No mundo da fantasia, por que não
sonhar?
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