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AVIAÇÃO
Rolim tenta virada
O dono
da TAM faz decolar o processo de reestruturação
no setor aéreo e o Cade prepara relatório com
os riscos da concentração
Juliana
Almeida, Joaquim Castanheira e Expedito Filho
| Foto:
Paulo Fridman |
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ROLIN:
Dilema entre o aderir ao processo de reforma ou enfrentar
a quebradeira generalizada
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Na
semana passada, entre reuniões intermináveis
e viagens repentinas para Brasília e Rio de Janeiro,
o comandante Rolim Amaro, principal acionista da TAM, comentou
com um de seus executivos: Isso tem que dar certo.
Era uma referência ao acordo recém-firmado entre
sua empresa e um dos concorrentes, a Transbrasil.
Mais que uma força de expressão, a frase resume
de forma dramática o dilema no qual as empresas brasileiras
de aviação estão mergulhadas: ou partem
para um amplo processo de reforma ou enfrentam uma quebradeira
generalizada. Ao provocar a decolagem desse processo com o
acordo com a Transbrasil, o comandante Rolim candidatou-se
ao papel de grande líder nessa virada da aviação
comercial brasileira. Há vários motivos para
isso. Primeiro, a TAM é, de longe, a empresa que tem
apresentado historicamente os melhores resultados financeiros
entre os quatro grandalhões desse setor no Brasil.
Segundo: sua história demonstra disposição
em romper com as leis de um mercado caracterizado, há
décadas, por protecionismo, regulamentação
excessiva e ausência de competição. Ou
seja, Rolim estaria mais propenso a mudanças do que
seus colegas de outras empresas. Por fim, ele é o último
representante de um espécime em extinção:
o empreendedor do setor aéreo, aquele que tem gasolina
de aviação nas veias.
Portanto, não foi à toa que Rolim deu o passo
inicial em direção à virada desse segmento
com a parceria com a Transbrasil. Juntas, as duas ficariam
com 36% do mercado, o que imediatamente levou o onipresente
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a
entrar em cena. Tão logo o acordo entre TAM e Transbrasil
foi anunciado, uma carta assinada pelo presidente do órgão
Gesner de Oliveira foi enviada às duas empresas. No
texto, havia o alerta de que qualquer associação
que gere uma participação de mercado de mais
de 20% ou um faturamento superior a R$ 400 milhões
deve ser analisada pelos conselheiros.
Na verdade, o interesse do Cade a respeito do assunto começou
antes mesmo da parceria vir a público. Em janeiro deste
ano, por solicitação do Senado Federal, a conselheira
Hebe Romano elaborou um relatório sobre eventuais associações
de companhias aéreas no País, obtido com exclusividade
por DINHEIRO. Escrito em linguagem rebuscada, com citações
de especialistas estrangeiros na matéria, o texto chega
a uma conclusão. Sim, realmente há ganhos de
eficiência na união dessas empresas, mas a concorrência
pode ser comprometida só que não necessariamente
em função do número reduzido de participantes
do jogo, como era de se esperar. O grande entrave seria a
falta de infra-estrutura dos aeroportos para permitir igualdade
de condições na competição pelos
passageiros.
O desembarque do Cade no assunto provocou a reação
imediata do setor. É estranho que o Cade queira
entrar no mérito do acordo entre TAM e Transbrasil,
diz o brigadeiro Mauro Gandra, diretor-geral do SNEA, o sindicato
que reúne as companhias aéreas. Se só
temos quatro empresas operando, seria muito natural cada uma
ter mais de 20% do mercado. O que o governo sempre quis evitar
foi uma concentração de mais de 50% na mão
de uma companhia aérea, como aconteceu com a Varig
em 1993, aproveitando a crise anterior da Vasp.
A polêmica dá uma idéia do vai-e-vem que
marcará a reestruturação da aviação
comercial no País, mas não a impedirá.
Dela, provavelmente emergirá um setor com menos empresas,
menos controle governamental, mas mais concorrência.
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