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DECADÊNCIA
A
Bolsa do Rio na linha de tiro
A concorrente
Cetip disparou antes
Marcelo
Aguiar
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Foto:
Pedro Agilson/Arte: Hitomi
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PRÉDIO DA BOLSA DO RIO: Destino depende da disputa
com a
concorrente eletrônica |
A rendição diante da Bolsa paulista, única
dona do mercado de ações brasileiro desde a
semana passada, não bastou para livrar a centenária
Bolsa carioca da sina de coadjuvante no mercado financeiro.
O projeto para lançar no segundo semestre um mercado
eletrônico de títulos públicos, criado
para garantir a sobrevivência da Bolsa após o
fim dos negócios no pregão de ações,
já nasce sob a sombra de um concorrente de peso. A
Cetip, responsável pelo sistema no qual são
registrados e negociados títulos de Estados e municípios,
moedas podres, letras hipotecárias e uma série
de títulos privados, saiu na frente e já tem
um sistema exatamente igual ao Selic, o oficial, pronto para
pôr na rua assim que receber a aprovação
do Banco Central. É uma briga indigesta. A Cetip, além
de estar na dianteira, tem como cacife uma lista de 2.400
instituições participantes do seu mercado, incluindo
todos os bancos, fundos de pensão e seguradoras. Na
Bolsa, porém, só entram as corretoras com título
de sócia. A probabilidade de a liquidez ficar concentrada
no sistema da Cetip e ignorar o da Bolsa do Rio, repetindo
o que acontecia em relação à Bovespa
no mercado de ações, é perigosamente
alta.
Os custos na Cetip deverão ser mais baixos, já
que as instituições não precisarão
da intermediação de corretoras para operar e
não terão que pagar taxas de custódia,
liquidação e negociação. A sensação
de triunfo antecipado na central é indisfarçável.
Nós temos um ambiente para bancos e demais parceiros,
como seguradoras e fundações, prevê
o superintendente Paulo Mendonça. São essas
instituições que fazem hoje o mercado dos títulos
públicos, no sistema de balcão (a negociação
direta entre duas instituições, pelo telefone).
A Bolsa, diz, vai ser para os pequenos participantes, que
vão comprar lotes menores por meio de suas corretoras.
E hoje, pelo menos, você não tem cliente
de corretora fazendo isso, arremata Mendonça.
O presidente da Bolsa, Carlos Reis, admite que há a
possibilidade de o mercado ficar dividido, mas dá de
ombros. Só vai crescer o mercado que tiver participação
de clientes, aposta. A Bolsa do Rio apresenta como trunfo
a liquidação completa da operação,
que será feita na CBLC mas que encarece o serviço.
O resultado da disputa entre os dois sistemas estreantes,
porém, deve ser o mesmo dos mercados de ações.
Os sócios da Bolsa também são membros
da Cetip. Quem vai querer pagar por duas estruturas se pode
pagar uma só?, pergunta um corretor.
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