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PREVISÃO
Cavaleiros
do Apocalipse
Inimigos
da nova economia, eles agora anunciam o fim dos tempos
Ernesto
Bernardes
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Fotomontagem:
Galismarte
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CAVALGANDO NA TEMPESTADE: Da esquerda para a direita,
Buffett, Shiller, Robertson e Soros. Eles pregam que a
razão não prevalece mais no mercado |
Alertas sobre a bolha já viraram lugar comum em jornais
e revistas de todo o mundo. Mas, nas últimas semanas,
um importante grupo de figuras de Wall Street pegou em armas
para uma cruzada contra a exuberância irracional. São
os arautos do Armagedon, preocupados em avisar que o tempo
de se esbaldar em lucros obscenos está chegando ao
fim. Curiosamente, três deles são justamente
investidores da velha guarda que, em pouco tempo, levaram
grandes tombos no estouro da manada tecnológica. E
o quarto é justamente o criador do termo exuberância
irracional, o economista Robert Shiller, da Universidade
de Yale.
Os gritos mais recentes vieram de George Soros, o investidor
húngaro que durante três décadas viu seu
fundo Quantum render 30% ao ano. Ele bem que tentou embarcar
na nova economia, mas não teve agilidade para vender
no tempo certo, despencou 20% em três meses e viu seus
cinco fundos encolherem US$ 8 bilhões. Na semana passada,
admitiu que parte de seus investidores pode sacar outros US$
3 bilhões. Decidiu então afastar seus dois principais
assessores, Stanley Druckenmiller e Nicholas Roditi, e saiu
praguejando. Pode ser que eu não entenda mais
os mercados. Mas pode ser também que a música
tenha acabado, e as pessoas continuem dançando mesmo
assim, disparou, com ar de quem tenta secar a festa
alheia. Os mercados se tornaram extremamente instáveis,
acrescentou. É a mesma acusação feita
há três semanas por Julian Robertson, outro mito
dos pregões, que tentou ficar de fora da nova economia
e acabou anunciando o fechamento de seu fundo Tiger, um gigante
com US$ 6 bilhões em ativos. Estamos em um mercado
onde a razão não prevalece mais, concluiu.
Outro que investe contra a nova economia é Warren Buffett,
que durante muitos anos foi o homem mais rico do mundo, mas,
no ano passado, teve de se desculpar com os investidores por
conta do mau desempenho de sua companhia, a Berkshire Hathaway.
Buffett pragueja contra a tecnologia dizendo que não
investe num negócio que não consegue compreender
dando a entender, assim, que se ele não entende,
quem poderia? Entre os cavaleiros, o que tem chamado mais
atenção até porque suas críticas
são mais racionais é Shiller. Ele acha
que a Internet é muito visível, as pessoas interagem
com ela, e por isso ela é superavaliada na mente das
pessoas. Argumenta também que muito da pesquisa feita
pelos analistas de bancos hoje é ultraotimista, e serve
apenas para promover altas artificiais de mercado. Há
uma bolha, ela terminará em algum momento, anuncia.
É pouco provável que tenhamos uma recessão
como a dos anos trinta. Mas uma grande queda no mercado de
ações e uma recessão seguinte são
bastante prováveis. Resta olhar para o céu
e esperar.
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