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XERIFE
DEIXA O CADE
O adeus de Gesner
Ele mandou
e desmandou no Conselho de Defesa Econômica. Definiu
o destino de cervejas, pastas de dente, aço, entre
outros. Agora passa o trono e vai vender consultoria
Expedito
Filho
| Foto:
Anderson Schneider |
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GESNER:
Da presidência do Cade para a consultoria
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Na
semana passada, o presidente do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade), Gesner de Oliveira, iniciou
a liturgia da despedida. Limpou gavetas, fez balanços
da sua atuação, proclamando-se vitorioso no
jogo de perdas e danos. Nos quatro anos em que esteve à
frente do Cade, Gesner contabilizou apenas uma perda
a de um velho Opala Diplomata roubado em Brasília ,
mas sua imagem saiu, aqui e ali, chamuscada com as polêmicas
decisões tomadas pelo Cade. A seu favor registra-se
o fato de que, nos dois mandatos em que esteve no comando,
as decisões da autarquia mexeram com poderosos interesses
econômicos, embora ainda não se possa assegurar
se elas foram efetivas ou não. Na fusão entre
a Kolynos e a Colgate, por exemplo, Gesner de Oliveira imaginou
a engenhosa fórmula de suspender a marca Kolynos por
quatro anos, provocando a oferta pública da capacidade
da Colgate. Isso resultou, na sua avaliação,
no surgimento de seis novas marcas. Também derreteu
o aço ao não permitir que a Gerdau recorresse
a instância ministerial para invalidar a proibição
de compra de uma siderúrgica de Minas Gerais. No caso
mais momentoso, o da criação da AmBev, a decisão
foi muito criticada. Ao permitir a fusão da Brahma
com a Antarctica, embora tenha estabelecido algumas restrições,
acabou bombardeado por empresas do setor.
Economista com doutorado em Berkeley, onde foi orientando
de Albert Fishlow, Gesner de Oliveira passará os primeiros
meses de quarentena, exigidos por lei, na condição
de professor da Fundação Getúlio Vargas
(FGV). Depois, pretende seguir uma carreira de consultor.
Foi pensando nisso que passou os últimos dias em Brasília,
articulando-se nos bastidores para influir na escolha de seu
sucessor. Aposte em um economista do Ipea ou da USP
e não nesses nomes que estão aí,
cochichava em sua cerimônia de adeus. Entre os nomes
cotados para sucedê-lo estavam os dos economistas Cláudio
Considera e Paulo de Tarso. Correndo por fora, com apoio de
assessores palacianos, está ainda o ex-deputado verde
Fábio Feldmam, que pertence ao tucanato desde a origem
do PSDB. Feito o sucessor, Gesner espera virar, após
a quarentena, o mais influente consultor da área. E
aí já não conta apenas recuperar o carro
roubado, como também acumular muitos outros bens. Deixa
a Capital Federal no próximo dia 13 com o mesmo patrimônio
de quando desembarcou no governo, ainda no início do
Real, com um escritório herdado do pai e sem apartamento
próprio. Continuo com os mesmos bens, diz.
O que, então, mudou em Gesner de Oliveira? Ele mantém
o mesmo sotaque paulistano, mas adquiriu um fraseado sinuoso
em que, para cada afirmação, apresenta sempre
duas ponderações em sentido contrário.
É uma espécie de Marco Maciel do direito econômico.
Nunca se compromete. Ele não era assim. O pai, dentista,
o colocou para trabalhar aos 11 anos porque Gesner era brigão
de rua. No Cade foi mais conciliador, mas, ainda assim, espera
um julgamento favorável da sua gestão pela opinião
pública. Eu apresentei ao longo desses quatro
anos um padrão de voto sempre muito bem definido e
espero ser avaliado pelo que fiz.
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