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DELIVERY
Vender é facil. Entregar...
Logística,
o maior problema do comércio virtual, vai movimentar
US$ 8 bilhões no Brasil
Juliana
Simão
| Foto:
Ciete Silvério |
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MIRA,
DA NETENVIOS: Transporte real do mundo virtual
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A
administradora de empresas Rosana Faria Pereira queria um
CD da cantora canadense Celine Dion. Entrou na Siciliano
Online e com poucos cliques fez sua compra. Dez dias depois
recebeu... um livro infantil. O disco demorou dois meses para
chegar às suas mãos. Eis, em resumo, o maior
problema e talvez a maior oportunidade da Internet brasileira:
logística. O mundo físico, com suas dificuldades
de locomoção, vem se tornando o maior entrave
do comércio virtual. Dados do Instituto de Qualidade
mostram que, no Brasil, um terço dos consumidores virtuais
está insatisfeito sendo que 63% por causa do
atraso na entrega dos produtos. A tecnologia ainda precisa
conviver com a capacidade de armazenar e gerir estoques, de
separar os produtos, embalar e entregar, no dia combinado
e na casa do consumidor. O fenômeno pode ter uma explicação
muito simples. O País é imenso e o transporte,
deficitário. Na prática, no entanto, a desculpa
esconde um erro comum às empresas de Internet: Muitos
ainda não se deram conta de que é muito fácil
fazer um site. Difícil é entregar o produto,
observa Cezar Taurion, sócio-diretor da Running Consulting.
Mesmo para as empresas que pensaram adiante, o custos de logística
continuam sendo proibitivos. Ter um sistema de armazenamento
e entrega de produtos pode comer 45% da verba total destinada
ao site. Mas, como é comum na Internet, não
há problema que não se transforme em grande
negócio. Nos próximos quatro anos, a logística
a serviço da Internet vai movimentar US$ 8 bilhões
no Brasil, afirma Taurion.
Para atender a essa nova demanda, estão sendo criadas
diariamente várias empresas. Transportamos no
mundo real tudo o que acontece no espaço virtual,
explica Carlos Alberto Mira, diretor da NetEnvios,
o primeiro site de entregas latino-americano. Empresas como
a NetEnvios já fazem e farão cada vez mais o
armazenamento, a embalagem e o transporte das mercadorias
vendidas na Internet. Até o Grupo Martins, um dos maiores
atacadistas do País, anunciou que vai entrar no setor.
Com investimento de US$ 25 milhões, seu portal Intecon
deverá estar no ar em 60 dias. E, se não bastasse,
a Total
Express, outro site especializado em logística
para comércio eletrônico, recebeu novos investimentos
de R$ 170 milhões. Com isso, pretende alavancar o faturamento
da empresa para R$ 600 milhões.
Mesmo as tradicionais empresas de entregas expressas abriram
os olhos para este filão. A DHL
Brasil começou a trabalhar com comércio
eletrônico em outubro. Firmou parcerias com a Amazon,
ZipNet
e Submarino,
e calcula que a Internet deverá responder por 10% de
sua receita no Brasil aproximadamente R$ 5 milhões.
O crescimento foi brutal em 99. A Internet gerou aumento
de 300 vezes em quantidade de remessas, comenta Maxwel
Martins da Silva, diretor de desenvolvimento de negócios.
A americana UPS
também criou novas formas de fazer negócios
para atender à demanda eletrônica como
entregas de documentos digitais com segurança reforçada.
O mundo está se tornando eletrônico, temos
de responder aos clientes tão rápido quanto
um e-mail, conta Claudia Becerra, gerente de relações
públicas para América Latina. Por enquanto,
o bom e velho serviço dos Correios continua sendo responsável
por 70% das entregas eletrônicas. Por conta disso, o
número de envios de Sedex no País vem crescendo
- de 69 milhões de pacotes em 98 para 77 milhões
em 99. Lucro à vista, o Correio começa a pensar
no internauta. Em maio, lança o sistema de rastreamento
de objetos via Internet em que qualquer consumidor
poderá saber onde está, e quando chega, o CD
que já foi comprado em algum site. Enquanto isso não
ocorre, os usuários reclamam.
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