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IMÓVEIS
Sua casa pode ter outro dono
Cuidado
com a hipoteca feita pela construtora
Fabiana
Godoy
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Foto:
Gustavo Lourenção/Arte: hitomi
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| MARGARETH,
VÍTIMA DA ENCOL: Briga na Justiça para obter
a escritura |
Depois
de três anos, o escândalo da Encol que
levou à falência a maior construtora do País
na época ainda oferece lições
aos compradores de imóveis. A mais recente é
a de que não basta prestar atenção aos
detalhes da construção e à forma de pagamento
ao escolher um apartamento ou uma casa na planta. Também
é preciso checar se a construtora escolhida pegou financiamento
para a obra, qual a garantia dada e como o empréstimo
vem sendo pago. No caso da empresa goiana, das 42 mil famílias
deixadas na mão pela construtora em 1997, 15% descobriram
ter comprado imóveis que foram hipotecados em empréstimos
contraídos pela Encol. A situação é
mais comum do que se imagina. Os bancos financiam 50% das
construções do País e a garantia dada
em caso de atraso é o próprio empreendimento.
Mesmo se o comprador tiver quitado o preço combinado,
ele só é dono quando tem a escritura definitiva,
explica o advogado Marco Antônio Marinelli de Oliveira.
E ele não consegue isso se o imóvel não
estiver liberado da hipoteca.
No caso da Encol, além de não pagar os financiamentos
com os bancos, a construtora agiu de má-fé ao
omitir a existência das hipotecas aos compradores. Foi
o que aconteceu com a representante comercial Margareth Chaddad.
Em 1995 ela comprou um apartamento da construtora em São
Paulo e, um ano depois, quando deveria receber as chaves,
descobriu que a obra já pertencia ao credor da Encol,
o banco Itaú. Hoje, passados cinco anos, o prédio
continua inacabado e seus 272 compradores estão tentando
provar na Justiça que têm direito ao que pagaram.
Nossa briga é levantar dinheiro para finalizar
a obra e obter a escritura do imóvel, diz Chaddad,
que em 97 fundou uma associação com outros compradores
lesados. Há casos como o do edifício Lake Buena
Vista, no Rio de Janeiro, em que os moradores quitaram seus
apartamentos, se mudaram e, devido à hipoteca, até
agora não conseguiram a escritura.
| PRECAUÇÕES
AO COMPRAR UM IMÓVEL |
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Tenha o máximo de informações possíveis
sobre a empresa de quem está comprando |
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Analise o extrato de compra e venda para ver se existe
ou está prevista hipoteca |
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Peça uma reunião com o banco que está
financiando a obra e a construtora para saber como está
a situação do débito |
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Se a construtora estiver em atraso, suspenda o pagamento
da sua dívida e renegocie |
O
episódio também fez com que o sistema financeiro
com a qual a Encol tem dívidas de R$ 1 bilhão
ficasse mais rígido nos financiamentos imobiliários.
Hoje, quando um comprador paga as prestações
do imóvel, o dinheiro vai para o banco credor da obra,
que desconta sua parte e só então faz o repasse
para a construtora. Isso diminui o risco e serve como
uma garantia a mais para o comprador, avalia Ely Wertheim,
vice-presidente do Secovi-SP. Para o comprador, é importante
tomar alguns cuidados (ver quadro) e, em caso de problema,
não cruzar os braços. Se o consumidor
ficar parado, vai perder tudo o que pagou, explica a
advogada Viviane Amaral Curi, que representa 6 mil famílias
prejudicadas pela Encol. No caso da construtora goiana, ainda
há tempo para recuperar pelo menos parte do prejuízo.
Desde fevereiro começaram a sair as primeiras decisões
autorizando a escritura para os moradores lesados pelas hipotecas
da Encol.
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