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EDITORIAL
Exuberância
sim, irracional não
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Defronte-se, caro leitor, com um velho e recorrente paradígma
da economia brasileira: a previsão é de crescimento
de 4% há quem aponte 7% e cassandras,
sempre elas, de dentro e de fora do governo, já começam
a gritar a receita do segura para não explodir.
Crescimento econômico, por esse conceito, parece coisa
proibida ou, no mínimo, maléfica. Crescer faz
mal. Detonaria consumo, engordaria inflação.
Mete juros neles! O presidente Fernando Henrique, como assinala
na entrevista exclusiva que começa à página
12, está disposto a quebrar a corrente. Vai deixar,
sim, o País crescer os 4%. Diz que temos condições
macroeconômicas e instrumentos para tanto. Entenda-se
como instrumentos, por exemplo, o estoque energético
suficiente. Ele faz as contas: na base de 4% dá. Qualquer
coisa acima disso pode complicar. Não teremos, portanto,
a exuberância irracional, mas estamos bem próximos,
assinala o presidente, do crescimento sustentável.
Chega das temporadas ciclotímicas, dos altos e baixos,
das recessões seguidas de crescimento e vice-versa.
É ver para crer. Não vamos saborear o milagre
econômico artificial de outrora, mas um avanço
maduro, movido pelo setor produtivo saneado e estimulado por
um mercado em retomada. É a boa nova do governo. E
aos que embarcarem na cruzada por essa conquista, ele concede:
os juros vão para baixo nos próximos três
anos, salvo acidentes de percurso, viradas inesperadas de
mercado, carestia fora de controle. Não tema, porém,
um novo ataque ao real nos moldes de 98, no estica e puxa
do capital volátil. Estamos mais preparados, menos
dependentes sempre nas contas oficiais. Delimita o
presidente uma meta que é quase um presente a essa
bem-aventurada fase: a taxa de juros de um dígito.
Eis a herança, o legado, que planeja e promete deixar
até o final de mandato, agora em segunda edição.
Carlos
José Marques
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