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  - nº 140
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EDITORIAL
Exuberância sim, irracional não

Defronte-se, caro leitor, com um velho e recorrente paradígma da economia brasileira: a previsão é de crescimento de 4% – há quem aponte 7% – e “cassandras”, sempre elas, de dentro e de fora do governo, já começam a gritar a receita do “segura para não explodir”. Crescimento econômico, por esse conceito, parece coisa proibida ou, no mínimo, maléfica. Crescer faz mal. Detonaria consumo, engordaria inflação. Mete juros neles! O presidente Fernando Henrique, como assinala na entrevista exclusiva que começa à página 12, está disposto a quebrar a corrente. Vai deixar, sim, o País crescer os 4%. Diz que temos condições macroeconômicas e instrumentos para tanto. Entenda-se como instrumentos, por exemplo, o estoque energético suficiente. Ele faz as contas: na base de 4% dá. Qualquer coisa acima disso pode complicar. Não teremos, portanto, a exuberância irracional, mas estamos bem próximos, assinala o presidente, do crescimento sustentável. Chega das temporadas ciclotímicas, dos altos e baixos, das recessões seguidas de crescimento e vice-versa. É ver para crer. Não vamos saborear o milagre econômico artificial de outrora, mas um avanço maduro, movido pelo setor produtivo saneado e estimulado por um mercado em retomada. É a boa nova do governo. E aos que embarcarem na cruzada por essa conquista, ele concede: os juros vão para baixo nos próximos três anos, salvo acidentes de percurso, viradas inesperadas de mercado, carestia fora de controle. Não tema, porém, um novo ataque ao real nos moldes de 98, no estica e puxa do capital volátil. Estamos mais preparados, menos dependentes – sempre nas contas oficiais. Delimita o presidente uma meta que é quase um presente a essa bem-aventurada fase: a taxa de juros de um dígito. Eis a herança, o legado, que planeja e promete deixar até o final de mandato, agora em segunda edição.

Carlos José Marques

 

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