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EXPANSÃO
O Triunfo da L'Oréal
Número
1 dos cosméticos avança com aquisições
mundo afora
Daniela
Fernandes, de Paris
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OWEN-JONES:
No comando há 12 anos, mantém o ritmo
de crescimento acima
de dois dígitos
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Lindsay
Owen-Jones, presidente do grupo francês LOréal,
prefere não comprar aquilo que todos (no
caso, os endinheirados) podem ter em sua coleção
sem muito esforço. Amante das artes, ele passa batido
por um quadro de Renoir. Existem centenas à venda
no mundo. Só é necessário ter uma boa
conta bancária para comprar. É mais divertido
adquirir uma boa tela de um artista médio que ninguém
conhece, afirma ele, que gasta seu dinheiro com os pintores
escoceses pós-impressionistas. OJ, como o patrão
de LOréal é conhecido, se desfez de sua
coleção de automóveis antigos pelo mesmo
motivo: agora ele só compra os antigos breaks (tipo
peruas) e somente os que tiveram proprietários ilustres,
como Giovanni Agnelli. No mundo dos negócios, esse
inglês de 53 anos, fluente em francês, italiano
e alemão e que começou vendendo xampus na Normandia
(norte da França), também gosta de colecionar
empresas. Mas ele prefere dar um caráter bem menos
excêntrico ao acervo do grupo que comanda há
12 anos e que é o número 1 mundial do setor
de cosméticos, com um faturamento de US$ 10,4 bilhões.
Cada uma das recentes (e inúmeras) aquisições
tem como alvo um segmento de mercado bem definido. Neste ano,
a LOréal já adquiriu a empresa argentina
Miss Ylang, uma das maiores do país em artigos populares
de maquiagem, e assinou, há dois meses, um acordo para
adquirir a americana Carson, líder mundial em produtos
étnicos. Os franceses já haviam comprado, em
1998, a americana Soft Sheen Products (especializada nesse
setor de artigos étnicos), visando o mercado africano.
Sem falar na compra da também americana Maybelline
e da alemã Jade, em 1996, que tornaram a LOréal
líder mundial em cosméticos populares. No ano
passado, surgiram rumores que Owen-Jones, que adora praticar
esportes, daria seu grande salto: a aquisição
da marca alemã Nívea, do grupo Beiersdorf. A
notícia foi rapidamente desmentida pelas duas companhias.
Nunca houve um dossiê Nívea. Isso não
quer dizer que exista um interesse ou uma falta de interesse
por esta marca, garante o presidente da LOréal
à DINHEIRO. Mas funcionários do grupo francês
no Brasil afirmam que reuniões com o pessoal da Nívea
chegaram a ser realizadas. O negócio não teria
dado certo porque os alemães queriam vender até
mesmo as fábricas, enquanto os franceses só
estavam interessados nos produtos da marca.
A estratégia de desenvolver as atividades do grupo
internacionalmente e de ampliar o conceito de marcas mundiais,
realizada por Owen-Jones, é considerada como o principal
motivo da forte expansão das vendas da LOréal:
pelo 15.º ano consecutivo, o grupo vem crescendo na casa
dos dois dígitos. Uma performance invejável,
já que nem mesmo as várias crises financeiras
mundiais dos últimos anos tingiram de vermelho os números
das vendas. A única maneira de se preservar contra
a instabilidade nos países emergentes é não
eleger tal ou tal país e sim atacar todos ao mesmo
tempo, para que os riscos compensem, afirma. No Brasil,
onde a empresa não revela seus números por
questões estratégicas, o ataque vem, ao
que tudo indica, dando bem certo. Um novo flanco foi aberto
na quarta-feira, 26, no mundo virtual. A L'Oréal deu
início a um serviço na Web, em parceria com
a Starmedia, para fornecer informações aos clientes
e vender seus produtos on line. O esforço deve compensar:
o Brasil é o segundo maior mercado mundial para a venda
de xampus e a L'Oréal confirma ter uma posição
dominante em meio a toda essa espuma. O grupo também
é líder absoluto na venda de produtos profissionais
para cabelo, tais como gels, fixadores e colorações.
A empresa, diz Lorrain Kressmann, diretor da L'Oréal,
tem também 40% do mercado de cosméticos de luxo
no Brasil.
A mesma Nívea que Owen-Jones gostaria de
ter comprado vem desafiando os gauleses em suas terras. Há
dois anos, a companhia alemã lançou sua linha
de maquiagem Nívea Beauté. Queríamos
entrar nessa área de atuação da LOréal.
Não temos o objetivo de liderança, mas já
conseguimos 10% de participação no mercado francês,
revela à DINHEIRO René Van Duignhoven, diretor
de comunicação da Nívea na França.
A forte competição em casa deve, provavelmente,
servir a Owen-Jones como inspiração para disputar
novos e pra lá de fortes mercados. Nos
Estados Unidos, onde as vendas aumentaram 12,5% em 1999, o
grupo se tornou líder em produtos de maquiagem e de
coloração de cabelos. Outro indicador ilustra
a presença da companhia: a cada segundo, 85 produtos
da marca LOréal, seja Lancôme, perfumes
Armani ou Ralph Loren, ou Helena Rubinstein, entre outros,
são vendidos no mundo. E, como costuma dizer Owen-Jones,
beleza é um tema que não acaba. E tudo indica
que ele está certo.
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