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AQUISIÇÕES
Baratinho,
baratinho
Bradesco
negocia Boavista a preço módico
Ernesto
Bernardes e Lucia Kassai
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Foto:
Ciete Silvério
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| LÁZARO
BRANDÃO: Comprando sem pôr a mão no
bolso |
Há três anos, os franceses do grupo Crédit
Agricole e os portugueses do Banco Espirito Santo adquiriram
o Banco Boavista, do Rio de Janeiro, pela quantia simbólica
de R$ 1. Sabiam que se tratava de uma instituição
em dificuldades, mas acharam que faziam um bom negócio.
Abrir a caixa-preta e tapar os buracos no caixa seria o pedágio
a pagar pela entrada no mercado brasileiro. Na semana passada,
depois de enterrar quase US$ 1 bilhão no banco, os
representantes dos sócios estrangeiros visitaram a
sede do Bradesco, o maior banco privado do País, dispostos
a passar o Boavista adiante. O grupo da Cidade de Deus se
disse disposto a fechar negócio, desde que não
tivesse que desembolsar dinheiro. Há alguns dias, despachou
uma equipe de economistas para a sede do banco carioca, para
checar suas contas e garantir que não havia nenhuma
outra bomba-relógio armada ali. Enquanto isso, os diretores
das instituições já discutem a engenharia
financeira da aquisição e, na quinta-feira
à noite, conversaram para rascunhar uma nota oficial,
na qual admitiam as negociações mas avisavam
que elas ainda não estão concluídas.
Entre as fórmulas que foram colocadas na mesa, a que
faz mais sucesso até agora é a da troca de ações.
O Crédit Agricole e o Banco Espirito Santo, que possuem
cada um 40% do Boavista, receberiam pacotes com cerca de 2%
de participação no Bradesco. O grupo Monteiro
Aranha, o terceiro acionista da instituição
carioca, ficaria com uma parcela um pouco menor.
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Foto:
Selmy Yassuda
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| ROBERTO
VALLE: Para ele, venda é a única solução |
Foi
Olavo Monteiro de Carvalho, presidente do grupo Monteiro Aranha
e ele próprio um acionista minoritário do Bradesco,
quem fez a aproximação entre os estrangeiros
e o possível comprador. O presidente do Boavista, Roberto
do Valle, havia assumido o banco no ano passado, com a missão
de pôr ordem na casa. Foi escolhido a dedo pelos sócios
europeus, irritados com o buraco em que haviam se metido.
Nos últimos meses, ele próprio passou a defender
a venda, depois de defrontar-se com brigas entre os acionistas,
que não conseguiam chegar a um consenso sobre como
tocar o banco. Se o negócio for realmente fechado,
será um alívio para os portugueses do Espírito
Santo. Desde o ano passado eles se queixavam que o Boavista
era o pior negócio do qual já haviam participado.
A avaliação dos diretores do Bradesco é
que, comprando o Boavista, poderão intensificar sua
participação no Rio de Janeiro. A instituição
tem autorização do BC para abrir 100 agências,
além das 75 que já possui. Com ativos de R$
5 bilhões e depois de uma série de aportes financeiros,
a instituição parece mais palatável ao
Bradesco que, na primeira vez em que o banco foi posto
à venda, não se interessou. No mercado, comenta-se
que um dos itens que tornaria o Boavista mais digerível
seriam os créditos fiscais, da ordem de R$ 400 milhões,
acumulados ao longo de anos de prejuízo. Eles seriam,
na prática, uma espécie de desconto para o eventual
comprador.
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