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INCENTIVO
A volta das câmaras setoriais
Governo
cria fóruns industriais. E os recursos?
| Foto:
Joedson Alves |
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TÁPIAS:
Seu plano tem um pouco de Juscelino e dos PNDs, mas
é outro animal
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O
nome é novo e a roupagem inédita, mas a idéia
é antiga. Na terça-feira, 26, ao apresentar
os Fóruns de Competitividade, o presidente Fernando
Henrique lançou mão de uma fórmula conhecida
do País. Ela foi criada por Juscelino Kubitschek com
os Planos de Metas, na década de 50, reeditada pelo
governo militar nos anos 70, no interior dos Planos Nacionais
de Desenvolvimento, e tentada, pela última vez, no
governo José Sarney, sob o nome de Câmaras Setoriais.
Trata-se de agregar, sob a coordenação do governo,
grandes setores da produção para discutir problemas
e se beneficiar das mesmas iniciativas. Na atual reencarnação,
a fórmula tem por objetivo incrementar as exportações
brasileiras e gerar empregos. Vale-se, como método,
do estudo das diferentes cadeias produtivas, para descobrir
onde e como a interferência pode ser eficaz. O que ainda
não se sabe e aí reside a grande novidade
é o tipo de instrumento que o Estado vai usar
para ajudar a atividade privada. Os recursos clássicos
crédito subsidiado, renúncia fiscal e
proteção aduaneira parecem descartados.
Em lugar deles, a equipe do ministro Alcides Tápias,
responsável pela iniciativa, ainda não anunciou
o que virá.
É uma idéia fantástica, diz
Alexandre Grendene, dono da empresa de calçados do
mesmo nome. Ninguém melhor do que os empresários
para conhecer suas próprias dificuldades. E ninguém
melhor do que o governo para apoiá-los. O setor
calçadista é um dos 12 eleitos pelo governo
para compor os Fóruns (veja os
demais abaixo). Nem todos estão tão
otimistas. Já discutimos isso tudo e nada saiu
do papel. Não tenho mais paciência de falar com
ministro, diz Goiaci Guimarães, presidente da
associação dos agentes de viagem, incluída
no Fórum de Turismo. Na construção civil,
cujo Fórum vai inaugurar o projeto com um reunião
em São Paulo em 8 de maio, há uma enorme expectativa.
Conta-se com ajuda federal para dar crédito barato
e viabilizar um plano de construção de 4,5 milhões
de moradias populares. As pessoas vão precisar
de crédito subsidiado para comprar casas, explica
Sérgio Porto, presidente do sindicato das empresas
de construção de São Paulo. Eis o impasse.
O economista João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro
do Planejamento e responsável por dois PNDs, tem falado
sobre os Fóruns com o secretário de Política
Industrial, Hélio Mattar, responsável pela execução
do projeto. Velloso acha a idéia adequada para o estágio
de desenvolvimento em que o País se encontra. Ela
tem um pouco do Plano de Metas e dos PNDs, mas é um
animal diferente, afirma. Para inserir o País
em um mundo globalizado é preciso aumentar a competitividade
e exportar mais. Velloso também não sabe
como o governo pode aprimorar as cadeias produtivas sem de
alguma forma colocar a mão no bolso. Com a palavra,
o ministro Tápias.
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