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HARDWARE
Japonesa apresenta sua arma
NEC vai produzir computadores no Brasil

Lino Rodrigues

Foto: Ciete Silverio
Haas
MACHADO: Linha completa para tirar o atraso e atacar mercado corporativo

Os japoneses da NEC Corporation, empresa com mais de 100 anos de existência e forte atuação nas áreas de telecomunicações e tecnologia, querem acabar com a timidez da marca no mercado de computadores. Na semana passada, a companhia anunciou que está investindo US$ 6 milhões para iniciar a montagem de computadores, notebooks e servidores no Brasil. Com a nova operação, a NEC Computer Brasil assume a marca Packard Bell – uma antiga associação com a americana Bull Electronic –, que passa a estampar os produtos voltados para o consumidor final. Os computadores destinados ao mercado corporativo e os notebooks vão manter a marca NEC. Já os equipamentos mais sofisticados como handhelds (computadores de mão) serão importados da matriz no Japão. Com a meta de faturar US$ 35 milhões no primeiro ano de atividade e vender 5 mil unidades até o final deste ano, a NEC chega disposta a incomodar a concorrência. “Vamos trazer tecnologia de ponta com preços mais em conta. Os outros fabricantes que se cuidem”, diz Djalma Machado, diretor-geral da filial brasileira. A NEC, que faturou US$ 36,8 bilhões em 1998, é a quinta do mundo em volume de vendas e detém 82% do exigente mercado japonês.

Karatê no preço. “O mercado brasileiro é grande o suficiente para acomodar mais um fabricante”, diz Fernando Loureiro, presidente da Dell Computer, que montou sua operação brasileira em novembro do ano passado. Ao contrário da Dell, que chegou a patentear o seu sistema de produção, a fabricação dos computadores NEC e Packard Bell será terceirizada pelas empresas FIC, de Barueri, e SCI, de Campinas. Elas serão as responsáveis pela montagem dos notebooks, desktops e servidores no País. A terceirização, segundo Machado, é uma tendência mundial e uma forma de reduzir custos, que serão repassados para os consumidores. Exemplo disso é um computador Pentium III de 500 MHz que será vendido por R$ 5.499 mil. “No mercado este mesmo computador não sai por menos de R$ 7.000”, afirma Machado. Independente da briga pelo mercado, a NEC quer aproveitar o boom da Internet para vender seus computadores de grande porte às empresas que estão nascendo na nova economia – além de PCs e notebooks para os novos usuários que querem navegar na rede. “O número de PCs ainda é muito pequeno em relação ao potencial do mercado brasileiro”, acredita o executivo da NEC. Mas sua grande novidade, de acordo com Machado, deverá chegar antes do final do ano. Até lá, a NEC pretende fazer o lançamento mundial de um PC específico para a Internet. Com pelo menos 10 grandes fabricantes, que disputam palmo a palmo cada fatia do mercado nacional de computadores, não é difícil imaginar que a vida da NEC Computer no Brasil não será nada fácil. Para conquistar a preferência dos consumidores brasileiros, terá que mostrar mais que Compaq, IBM, HP, Acer e Microtec, que brigam pela liderança nas vendas.

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