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MP3: Que negócio é esse?
O formato de música na Internet deve gerar US$ 3,7 bilhões

Foto: Ciete Silvério
Haas
JUSTA, DO MP3CLUBE: Portal pioneiro a usar a fórmula no Brasil

Gravar uma música retirada de um site na Internet. Essa simples operação – que no momento em que você lê essa frase está sendo repetida 68 vezes ao redor do mundo – está gerando um dos negócios mais lucrativos e promissores da rede. Usando o MP3, a fórmula de comprimir arquivos de músicas para distribuí-las de forma gratuita entre internautas, milhares de pessoas estão abrindo seu próprio negócio. No Brasil, são mais de 13 mil sites. No mundo, 9,5 milhões. É um mercado de mais de 5 milhões de consumidores, que deverá movimentar US$ 3,7 bilhões até 2005.

De portais consagrados como Submarino.com ao recém-lançado Usinadosom, todos estão tentando dar uma mordida no novo negócio. O último portal lançado foi o MusicalMPB. Criado pelos ex-proprietários da emissora de rádio que levava o mesmo nome, a idéia do portal é ser um rádio virtual, oferecendo música brasileira 24 horas. “O próximo passo é oferecer MP3”, diz Olavo Soares Dias Jr, diretor de tecnologia do portal.

A explicação para a febre do MP3 é a facilidade na criação do negócio. Qualquer pessoa pode entrar em uma página já existente, copiar “a fórmula” do MP3, transferi-la para seu próprio site e abastecê-lo com músicas (hoje há 80 mil CDs disponíveis na Internet). Como as músicas são retiradas da página de forma gratuita, o lucro do negócio pode vir de duas fontes: da venda de publicidade ou do comércio de CDs legais ou piratas. “É um imenso e inexplorado mercado da Internet”, diz Marcelo Justa, o primeiro empresário a lançar um site de MP3 no Brasil, no ano passado. A história de Justa lembra a de outros milhares de empresários da música virtual. Ele começou no negócio em 1996, quando lançou uma loja de CDs virtual, a Planet Music. Três anos mais tarde, mudou a estratégia e decidiu criar um site de divulgação dos trabalhos de músicos sem gravadora, o MP3Clube (www.uol.com.br/mp3clube/). Veio a dúvida: como condensar os gigantescos arquivos de música? A solução: MP3. Deu certo. Seu site oferece músicas a 50 mil internautas por mês. “Hoje, a procura é tão grande que não temos tempo de colocar no ar a música de todos que nos procuram”, diz Justa, que em troca da divulgação, não paga os direitos autorais.

Em torno da fórmula MP3, está sendo criada uma outra indústria tão promissora e lucrativa: a de aparelhos que tocam as músicas baixadas da rede. São celulares, telefones, rádios para carros e os tradicionais discman. O primeiro produto na linha kit-MP3 foi o Rio, uma espécie de discman criado pela empresa americana Diamond que guarda 60 minutos de digital MP3. Hoje, ele não é encontrado por menos de R$ 495. Percebendo a montanha de dinheiro, ou-tras grandes empresas de tecnologia como Samsung e LG Electronics lançaram seus similares. E se deram bem. Só ano passado, foram vendidos 1,5 milhão de aparelhos. Este ano, as vendas podem chegar a 7 milhões.

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