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AVALIAÇÃO
Nunca é tarde para mudar
Quem quer deixar suas finanças sempre em forma precisa reavaliar, de tempos em tempos, a carteira de investimentos

Fabiana Godoy

25 / 35 ANOS
ONDE ESTÁ: começo do crescimento profissional
O QUE QUER: comprar casa, carro, construir sua família, ter filhos etc.
COMO INVESTIR: esse é o momento de começar a fazer seu patrimônio crescer. Para isso, pode assumir riscos (dependendo, é claro, do seu perfil como investidor) porque terá tempo para recuperar eventuais perdas

Este ano seus investimentos vão completar o décimo aniversário. Quando você olha para trás, faz as contas e fica orgulhoso: apesar das oscilações da economia, nunca mexeu em nada durante toda esta década. Se esse é o seu caso, esqueça as comemorações. Investimentos, assim como investidores, envelhecem e se você chegou aos 60 com seu dinheiro nas mesmas aplicações que tinha décadas atrás, muito provavelmente está parecendo aquele senhor de meia-idade que só quer usar roupas de adolescente. Isso porque em cada fase da vida temos objetivos diferentes, que podem – e devem – ter um correspondente na forma como tratamos do nosso dinheiro. “Normalmente as pessoas se preocupam com o seu perfil de investidor mas esquecem de adaptá-lo ao momento da vida em que se encontram”, diz Vera Kátia Gatto, diretora do private-banking do banco Brascan.

35 / 45 ANOS
ONDE ESTÁ: a caminho do ápice da sua carreira
O QUE QUER: já adquiriu bens para a família (a estrutura está montada) e quer agora aumentar ainda mais o seu patrimônio.
COMO INVESTIR: continua investindo para crescer mas já tem de olhar para o futuro, como planejar a sua aposentadoria

Na prática, isso significa que pessoas de 25 anos estão começando a construir seu patrimônio e podem arriscar mais, pois têm mais tempo para recuperar eventuais perdas. Já as de 60, não devem arriscar o patrimônio construído em muitos anos de trabalho. Há exceções como jovens muito conservadores ou investidores mais maduros que gostam de arriscar. Mas, em geral, arrisca mais quem está preocupado em ver seu patrimônio crescer e conta com o tempo a seu favor. Um exemplo disso pode ser encontrado na casa da família Jannoni, de São Paulo. O pai, o empresário Marco Antônio, de 60 anos, concentra 80% de sua carteira em renda fixa. “Minha preocupação é poupar”, diz ele. Já o filho, o administrador de empresas Alexandre, 29 anos, tem como objetivo aumentar o seu patrimônio e arrisca mais. “Eu me considero um investidor médio-agressivo”, conta. “Nunca coloco menos de 20% do meu patrimônio em ações”.

45 / 55 ANOS
ONDE ESTÁ: maturidade profissional
O QUE QUER: manter o que já tem. É a fase de investir nos filhos (pagar um MBA, dar um imóvel).
COMO INVESTIR: Deve ser mais conservador e se preocupar mais com a preservação do seu patrimônio do que fazer aplicações que corram risco

Segundo os analistas, adaptar a carteira à idade nada mais é do que traçar um plano de vôo. Basta definir quais são os seus objetivos e atualizar a sua carteira de investimentos de acordo com eles. E esses objetivos mudam com o passar do tempo. Pense no que você quer para a sua vida. Poupar para comprar um carro, um imóvel, para casar, para a educação dos filhos, para a aposentadoria? “As pessoas têm de fazer uma auto-avaliação para identificar suas necessidades de gastos para os próximos anos”, explica Marcelo Sobreiro, diretor de conteúdo do portal financeiro InvestShop. Marco Antônio, o pai, por exemplo, pensa em aposentadoria hoje – aos 60 anos – mas não o fazia aos 30. “Não tinha nem a quem recorrer naquela época”, recorda. Já seu filho, Alexandre, aos 29 anos, já está investindo parte de seu dinheiro num plano de previdência privada, do tipo PGBL. “No futuro, quero uma vida bem tranqüila, sem ficar pensando em ter que fazer algo pelo dinheiro”, diz.

55 / 65 ANOS
ONDE ESTÁ: cada vez mais perto da aposentadoria
O QUE QUER: desfrutar o que acumulou durante sua vida de trabalho
COMO INVESTIR: Aposentadoria é a preocupação principal. Dificilmente vai usar parte dos recursos para compra de imóveis ou carros. Como investidor, está mais preocupado do que nunca com a preservação

No Brasil, com tantos anos de inflação, era difícil fazer planejamentos de longo prazo. A preocupação era, antes de mais nada, conservar o patrimônio. Com a estabilidade, não há mais desculpas. “Há cada vez mais investidores poupando de acordo com algum objetivo”, diz Rosaline Marinho Nunes, diretora de investimentos do Citibank. Nos Estados Unidos, por exemplo, é raro encontrar um investidor que não tenha desde muito cedo sua estratégia de investimento bem definida. Muitos americanos começam a poupar para a faculdade do filho assim que a mulher fica grávida. Exagero? Talvez em algum tempo – e se a estabilidade continuar – isso se torne comum por aqui também.

Sem mudanças bruscas. Rever seus investimentos de tempos em tempos também exige alguma sabedoria. Os consultores são unânimes: nunca alterar a carteira de investimentos de uma hora para outra. “Você só deve mexer na essência do portfólio se houver alguma mudança significativa na sua vida”, diz João Luiz de Medeiros, vice-presidente da Merrill Lynch. Por mudança entende-se um casamento, filhos, um novo negócio, divórcio. São eventos que não costumam acontecer a cada ano. Portanto, dificilmente você terá de fazer alguma mudança drástica em pequenos intervalos. Além disso, é preciso analisar seus investimentos com calma. “Não se deve reavaliar o portfólio na crise ou na euforia”, diz Luiz Eduardo Santini Mello, diretor comercial da Linear Investimentos. O melhor, para não se precipitar, é criar intimidade com suas aplicações. Uma vez por ano, pelo menos, cheque se elas vêm cumprindo o que você esperava e quais são os próximos planos da sua vida. Você tem que estar atento a isso, mesmo que não vá mudar nada. Uma boa ocasião é o aniversário da sua aplicação. Só não deixe para fazer isso pela primeira vez quando seu rebento já estiver entrando no décimo aniversário.

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