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EDITORIAL
O
cerco ao capital
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Pedras, gás e tropas alimentaram um confronto inusual.
Nas ruas cercadas de manifestantes, ministros, financistas,
senhores da roda monetária ficaram acuados. O ministro
Pedro Malan, que nos anos 70 foi tachado de foquista pela
ONU no jargão da época, um simpatizante
da guerrilha rural , viu-se sitiado. Transformou-se
em alvo. O carro que o transportava foi sacudido, atacado.
O hotel com autoridades e participantes do encontro levantou
às quatro horas da madrugada, acordado por sirenes
intimidadoras. O estado de conflito entre os que movem o capital
e aqueles que dele dependem e sofrem as conseqüências
do seu uso sob severa receita chegou ao ápice.
Washington como campo de batalha similar só pode ser
reencontrada nos turbulentos dias de protestos anti-Vietnam.
Uma grita, constante e crescente, pelo fim da globalização
atrai simpatizantes em generoso número, até
nos EUA, coração da exuberância
irracional. Vítimas do fenômeno de integração
global estão pelos quatro cantos. O FMI virou um símbolo,
um totem do separatismo capitalista. E é confrontado.
Dirigentes como James Wolfensohn, do Bird, temem pela desmoralização.
Autoridades nas várias esferas financeiras defrontam-se
com o paradigma: como mover a roda comercial do mundo sem
comprometer as escalas de prioridades de cada país.
É, decerto, o dilema que aflige e, historicamente,
sempre afligiu os que detêm o poder, nas questões
internas ou externas. A fórmula de saída mistura
cautela e bom-senso. O poder deve ser exercido com equilíbrio.
Em
tempo Nesta edição trazemos uma reportagem
sobre o movimento do poder pelos escalões de Brasília.
A radiografia esclarecedora marca a estréia de Expedito
Filho, um dos mais influentes jornalistas brasilienses, na
direção da sucursal da Revista.
Carlos
José Marques
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