CAPA
 INDICE DA REVISTA
 A SEMANA
 DIRETO DA REDAÇÃO
 E-COMMERCE
 ECONOMIA
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 FINANÇAS
 GALERIA DE FOTOS
 MERCADO DIGITAL
 MÍDIA & CIA.
 MOEDA FORTE
 NEGÓCIOS
 PODER
 SEU DINHEIRO

BUSCA
 
 EXPEDIENTE
 FALE CONOSCO
 EDIÇÕES ANTERIORES
 ASSINATURAS
 PUBLICIDADE

CAPA DA SEMANA
 
ISTOÉ


GENTE

PLANETA
   
 
  - nº 139
ASSINE A NEWSLETTER   

CONSUMO
País movido a luxo
Brasil entra no clube dos dez maiores consumidores de produtos sofisticados. O mercado cresce 45% ao ano

Foto: Gustavo Lourenção
MERCADO SELETO: 2,5% da população consome artigos de luxo no Brasil

Se você comprou uma Ferrari, um helicóptero ou jatinho particular; se costuma desfilar com roupas Armani e acessórios Louis Vuitton; se assina com canetas Montblanc e usa relógios Cartier, parabéns! Você faz parte de um seleto grupo de 4 milhões de brasileiros que consomem artigos de luxo no Brasil. Este mercado, embora seja formado por apenas 2,5% da população, tem crescido até 45% ao ano, segundo as grifes. Provas disso são o movimento nas principais revendas de carros importados no País e a pujança de ruas como a Oscar Freire, em São Paulo, capital latino-americana das grifes de luxo, e Garcia D’Ávila, no Rio de Janeiro. Nestes pontos, pode se gastar milhares de reais por metro quadrado em produtos que vão de canetas cravejadas de brilhantes a automóveis sob encomenda. Abrir uma loja nos sofisticados endereços do Rio ou de São Paulo requer, além de paciência para conseguir o ponto, investimento inicial de cerca de US$ 2 milhões. Mas e daí? Isto é troco para quem está acostumado a lidar com uma clientela cujo poder de compra é ilimitado. O Brasil, acredite, está entre os dez maiores mercados do mundo em artigos de luxo. Na América, só perde para os Estados Unidos, que têm renda per capita dez vezes superior à nossa.

As franquias brasileiras do estilista Giorgio Armani são um ótimo espelho do potencial nacional. Administradas por André Brett, dono das marcas VR e Vila Romana, as unidades paulistas venderam mais do que as de Nova York em dezembro do ano passado. Por isso, a Empório Armani estará inaugurando em 2001 sua segunda maior loja no mundo, atrás da nova-iorquina localizada na Madison Avenue. Mas as lojas paulistas, as únicas do estilista na América Latina, só conseguiram se firmar com a abertura às exportações, no início dos anos 90, e com a estabilização da economia, em meados da década. Quem tentou iniciar suas atividades há mais de dez anos enfrentou muitas dificuldades para importar ou apelou para a fabricação local, o que acabou diminuindo o prestígio da marca. Havia um mercado potencial enorme. Tanto que, nove anos depois de aberta a primeira loja Montblanc no Brasil, ela passou a ser a quinta colocada em vendas. E o País foi campeão no número de encomendas das canetas de brilhantes, que custam US$ 120 mil. Portanto, não é difícil entender os motivos que levaram a grife a engavetar o projeto Generation, linha de produtos 70% mais barata e voltada para o público jovem. “O consumidor tradicional poderia se sentir traído e deixar de freqüentar as lojas Montblanc”, explica o diretor Freddy Rabbat.

“As pessoas que estão no topo da pirâmide social consomem artigos caros para se distinguir dos demais. Quando o produto invade outras classes, elas partem para outro artigo ou mudam de marca”, explica Gisela Taschner, professora titular da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). A ostentação, segundo ela, é uma forma de mostrar poder – tradição herdada dos príncipes renascentistas italianos. O mais curioso é que este tipo de comportamento, no Brasil, independe da renda. “Às vezes as pessoas deixam de comprar uma geladeira para ter uma televisão ou gastam o salário em roupas. É o mesmo sintoma, em grau reduzido, dos novos ricos, que não podem ter um iate, mas compram uma Montblanc para fazer parte deste mercado.” No caso dos muito ricos, faixa que representa 1% da população brasileira – responsável por 17% da renda gerada no País –, o consumo refinado extrapola o modismo ou a ostentação. Assemelha-se mais a um padrão de vida cultivado durante gerações. “O Brasil é um dos países mais consumistas e segue claramente o estilo americano”, conclui Gisela.

Outro exemplo de prestígio no País é a marca Louis Vuitton. “Nossa participação nos primeiros seis anos foi muito discreta”, diz Carlos Ferreirinha, diretor geral da empresa, do grupo LVMH, que congrega as marcas Moët & Chandon, Hennessy, Kenzo, Loewe e Tag Heuer. Hoje, as vendas de canetas e lenços de seda Louis Vuitton no País estão entre as cinco maiores do mundo. O leque de produtos, a cada ano, vem aumentando. A marca trouxe no fim de 1999 a linha de roupas e prepara o desembarque de mais uma grife, provavelmente a Loewe. A Kenzo, por sua vez, vai inaugurar três lojas, onde incluirá a moda masculina.

A receita das grifes raramente é divulgada, mas elas não têm do que reclamar. Apesar do período negro que foi 1999, a Ferrari, por exemplo, vendeu o dobro de carros em relação a sua estimativa inicial, chegando a 32 unidades. Em 2000, a previsão é vender outros 50, marca que confirma o Brasil como o 9º maior mercado da empresa. “Hoje o público é muito diferenciado”, diz Jorge Ricardo Eorendjian, diretor comercial. A Maserati, pertencente à Ferrari, vendeu 10 unidades nos primeiros seis meses de Brasil, número que deverá mais do que dobrar este ano.

Quando o assunto é transporte, no entanto, quem ri à toa são os importadores de helicópteros. Num mercado que movimentou US$ 70 milhões no ano passado, cerca de 30% foram para o mercado de luxo. O restante foi comprado por empresas de taxi aéreo, escolas de pilotagem e utilitários. “Nosso cliente é aquele que já experimentou vários luxos, mas descobriu que para se deslocar com rapidez, o negócio é andar por cima, de helicóptero”, brinca José Antônio Pires Barbosa, diretor comercial da Audi Helicópteros. Certamente, quem voa para se deslocar também compra as melhores roupas, os melhores acessórios e as melhores bebidas. “O brasileiro é um consumidor muito requintado e exigente”, garante Rabbat, da Montblanc.

LEIA MAIS

Atitude C&A

Chanceler da Fiesp

Yakult vira o sabor

Poço de problemas

O Brasil entra na órbita

País movido a luxo

Museu - um grande negócio

 


Copyright 1996/2000 Editora Três