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PROVA
DE FOGO
Poço de problemas
Justiça
e Congresso cobram explicações sobre contratos
e decisões da nova
diretoria da Petrobras
Mariza
Cavalcanti
| Foto:
Calé |
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REICHSTUL:
Presidente presta contas em Brasília
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O
presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, enfrenta,
nas próximas semanas, uma verdadeira prova de fogo.
Desde o ano passado à frente de uma das maiores companhias
petrolíferas do mundo, ele terá pela primeira
vez que ir a Brasília dar explicações
sobre a sua gestão. Na audiência pública,
convocada para maio pela Comissão de Minas e Energia
da Câmara dos Deputados, Reichstul será questionado
sobre a atuação do diretor-financeiro Ronnie
Vaz, contratado pela companhia pouco depois de ter ocupado
o mesmo posto no ABN Amro Bank no período em que o
banco negociou com a Petrobras um contrato bilionário.
No início de 1999, o banco holandês ganhou o
direito de financiar a maior parte do projeto que viabilizou
o campo de Marlim, na Bacia de Campos, maior área produtora
de petróleo do País. Queremos saber se
há conflito de interesse na atuação desse
executivo, explica o presidente da Comissão,
Luiz Antonio Fleury. Outra pergunta deverá ser respondida
no Congresso: quais são os objetivos da reestruturação
da Petrobras anunciada em abril? A reorganização
cria unidades de negócios independentes e remaneja
a administração dos recursos. Programas semelhantes
desenvolvidos pela British Petroleum e pela IBM tiveram resultados
desastrosos. Em comunicado oficial, a Petrobras defende o
projeto.
Não só o Poder Legislativo está nos pés
de Reichstul. A Petrobras acaba de perder a primeira etapa
de uma briga na Justiça contra a Marítima, especializada
na construção de plataformas. Entenda o episódio:
o presidente, assim que assumiu a Petrobras, suspendeu contratos
firmados pelo seu antecessor, Joel Rennó. Entre eles,
estava o de construção de seis plataformas de
perfuração, assinado em abril de 1998, num valor
de quase R$ 2 bilhões. Cláusula contratual previa
o direito de interrupção dos serviços
caso os atrasos superassem 180 dias. Foi nisso que Reichstul
se apoiou para cancelar as obras. O que ele desconhecia era
a existência de um documento assinado pela diretoria
da própria companhia brasileira estendendo o prazo
para 540 dias. A Marítima moveu a ação
e, em fevereiro, o Tribunal de Justiça do Rio concedeu
liminar, obrigando a Petrobras a manter o contrato. Segundo
consultores, a estatal, se derrotada, poderá ter de
arcar com o dobro do valor inicial da obra, ao somar os custos
com perdas por lucro cessante, multas e outros reparos à
Marítima. Outro caso judicial assusta Reichstul. Em
maio, a Associação dos Engenheiros da Petrobras,
dona de participação minoritária na companhia,
entrará com ação questionando a extinção
em 1998 da Petrofértil, uma das subsidiárias
da empresa, sem prévia consulta ao Congresso. Segundo
o advogado Marcelo Cardoso Mendonça, essa medida contrariou
a lei 6.404, que rege as sociedades anônimas, e a Constituição
Federal. Tudo foi feito na marra, dispara.
Fora
dos tribunais, Reichstul tem mais problemas: a difícil
costura dos rumos do acordo da Petrobras com a Repsol YPF.
A multinacional, que surgiu da associação entre
a espanhola Repsol e a argentina YPF, precisa se desfazer
de ativos para poder formalizar o negócio. A Petrobras,
que já atua na Argentina desde 1993, assinou protocolo
com a Repsol. Nenhuma das duas fala sobre o assunto, mas correm
rumores de que teria sido proposta a troca de refinarias como
a Refap (no Rio Grande do Sul) e a Regap (em Minas Gerais)
pela cessão da rede de postos da YPF no mercado argentino.
A idéia teria tido o apoio do presidente da Agência
Nacional do Petróleo, David Zylbersztajn, e da equipe
executiva de Reichstul. O corpo técnico da companhia
rejeitou a idéia. Por que ceder as refinarias
em troca de postos numa economia que está à
beira do colapso, como a Argentina?, perguntaram. A
resistência ganhou a adesão do governo argentino,
para quem um troca-troca desse tipo não resolveria
o problema de concentração da Repsol YPF. Reichstul,
agora, pensa em envolver no contrato as áreas de exploração
de petróleo, formando assim uma superaliança
petrolífera. Ele tem dois meses para vencer o impasse
e alinhavar o negócio. Olhando de perto os passos do
presidente da Petrobras, a Comissão de Minas e Energia
analisará proposta para tornar obrigatória a
prestação periódica de contas da empresa
ao Congresso. Com previsão de investir, entre 2000
e 2005, cerca de US$ 33 bilhões, a dona de dez mil
quilômetros de dutos, 30 navios e 50 plataformas de
produção de petróleo tem várias
lições de casa para cumprir.
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