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ESTRATÉGIA
Yakult vira o sabor
Ameaçado pela concorrência, grupo japonês muda a fórmula da bebida, instala nova fábrica no Brasil e ensaia entrada em novos segmentos

Paula Pacheco

Foto: Ciete Silvério
SAKADATA, PRESIDENTE NO PAÍS: “Estão nos imitando, por isso é hora de mudar”

A cada segundo, 29 frasquinhos de Yakult são consumidos no Brasil. A conta é esta mesma. Diariamente são vendidos no País 2,5 milhões de unidades da bebida, que consegue ser mais consumida que o popularíssimo Big Mac, do McDonald’s. Tantos lactobacilos – as bactérias vivas que fazem parte da fórmula do Yakult – garantem ao País o terceiro lugar no ranking da multinacional japonesa. A operação brasileira perde apenas para as do Japão e Coréia do Sul. Mas mesmo uma empresa líder como a Yakult sabe que às vezes é preciso surpreender o consumidor. Depois dos cosméticos, lançados no ano passado, a indústria japonesa prepara-se para, a partir do segundo semestre, importar os primeiros lotes de um remédio à base dos famosos lactobacilos. Será a primeira experiência no Brasil com medicamentos e só falta a aprovação do Ministério da Saúde. A outra mudança ocorrerá com o próprio Yakult, que vai ganhar nova fábrica, nova embalagem e alterações na receita. Os lactobacilos passarão dos atuais 10 milhões para 40 milhões por frasco.

O Brasil será o segundo país a ter o produto em sua nova fórmula. No Japão ele foi lançado há um ano e as vendas aumentaram 10%. A estratégia por aqui, segundo o presidente da empresa, Masahiko Sadakata, tem a ver com a concorrência. “Estão nos imitando, por isso é hora de mudar um pouco”, afirma. O investimento será de US$ 10 milhões. Sadakata sabe que não é bom subestimar a concorrência. Durante 28 anos, o produto Yakult reinou absoluto no mercado sem nenhum adversário. Mas, a partir de 1995, Nestlé e Parmalat perceberam que também poderiam competir e hoje elas detêm juntas cerca de 30% dessa linha de produto. No ano passado o faturamento da operação brasileira da Yakult foi de R$ 300 milhões, 12% inferior ao de 1998. Ao contrário de seus concorrentes, os japoneses garantem 60% de suas vendas com o sistema porta-a-porta.

Logística. A terceira fábrica da Yakult será no Recife, local estrategicamente escolhido para resolver o problema do custo do frete pago para transportar os produtos do Estado de São Paulo até a região Nordeste. A produção começa em dois anos. Sadakata prevê que a unidade terá uma capacidade de produção de até 300 mil unidades/dia, pouco se comparado aos 3 milhões de unidades que as duas fábricas de São Paulo, em São Bernardo do Campo e em Lorena, têm condições de fabricar. Atualmente, apenas metade dessa capacidade está sendo utilizada e só a logística da distribuição dos produtos justifica outra unidade.

Mas nem tudo é motivo para comemorar. Se a Yakult é quase absoluta na praia das bebidas fermentadas, nos cosméticos não tem tido a mesma sorte. Lançados no ano passado, os produtos ainda não decolaram e até agora a empresa arregimentou apenas 800 vendedoras. É pouco perto do exército de mais de 10 mil ambulantes que saem pelas ruas gritando “olha o Yakult”. Por enquanto a linha tem 20 itens e metade deles vem do Japão. O presidente da Yakult nem comenta como estão as vendas dos produtos de beleza, apenas promete que em cinco anos elas vão representar 10% das vendas totais da empresa no País. “Sabíamos que não seria possível aproveitar as mesmas vendedoras das bebidas. Vender alimento é bem diferente de vender cosméticos”, comenta Sadakata.

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