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PERSONAGEM
Chanceler da Fiesp
Claudio Vaz é o escolhido de Horacio Piva para dar a virada na maior entidade empresarial do País

Mariza Cavalcanti

Foto: Gustavo Lourenção
O ESTILO DE VAZ: “Malan não tem a experiência do mundo real”

Estrangulada pela queda na receita e pela redução de sua representatividade, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está se profissionalizando. A idéia, à primeira vista, pode parecer estranha para a tradicional central sindical, que representa cerca de 40% da produção nacional. Mas, é isso mesmo. Pela primeira vez, a entidade adota conceitos de gestão empresarial e coloca um executivo na posição de grande mentor e autor das idéias que podem dar uma guinada na história de quase 70 anos da Federação. O homem que ocupa esse posto é Claudio Vaz, 52 anos, já batizado nos corredores da pirâmide da Avenida Paulista com títulos como homem de ferro ou primeiro-ministro. Os apelidos dão uma pista sobre a sua força na Federação: seus poderes só não são maiores do que os do presidente Horacio Lafer Piva. Há pouco mais de um mês como diretor-executivo, ele tem como papel dar novo formato à entidade, tornando-a ágil para se adaptar aos tempos atuais e retornar à cena político-econômica nacional. “O mundo mudou. A Fiesp precisa mudar também”, ressalta. As ações serão definidas agora para que tenhamos resultados, assim como acontece nas melhores empresas.” O chefe, Piva, concorda: “Precisamos dar uma dimensão profissional à Federação”.

E o que isso significa? Vaz assume o dia-a-dia da administração da Fiesp e Piva fica liberado para se dedicar aos compromissos políticos que a função exige. No fundo, essa reviravolta na estrutura hierárquica mostra o esforço dos dirigentes da casa em recuperar a glória, o brilho e o prestígio perdidos nos últimos anos. Tempos atrás, a entidade era aclamada como um dos grandes centros de decisão dos rumos do País. “A forma de trabalho da Federação é lenta, compartimentada. Estamos modernizando para ganhar velocidade”, reforça. Para se ter uma idéia do que Vaz pilotará no conjunto Fiesp/Ciesp, acompanhe: são 126 sindicatos patronais, mais de 9 mil indústrias, um grupo de 200 diretorias e cerca de 10 departamentos de estudos técnicos. O principal personagem dessa revolução na Fiesp parece não ter medo de desafios. Fez uma bela lição de casa promovendo uma reviravolta no Serviço Social da Indústria (Sesi). Ao assumir o comando em 1998, encontrou uma entidade deficitária em mais de R$ 25 milhões e abalada por denúncias de má administração de dinheiro público.
O Sesi tem como receita o repasse pela Previdência da arrecadação compulsória de 1,5% na folha de pagamento das indústrias afiliadas da Federação. Sempre foi uma cobiçada fonte de dinheiro. Mas, começou a ter problemas em 1994, quando a indústria paulista passou a registrar uma queda média anual de 7% no número de trabalhadores empregados. A receita despencou 40% entre 1994 e 1998. Em contrapartida, permaneceram as despesas com os cursos gratuitos para 200 mil alunos – a um custo próximo aos R$ 170 milhões. Convidado a apagar o incêndio, Vaz agiu como um aguerrido bombeiro acostumado às tragédias da vida na iniciativa privada. Reduziu em 10% o quadro de 10 mil funcionários, vendeu ativos, renegociou contratos e reformulou serviços. “No final do ano passado, a casa estava saneada”, diz. Agora, está unindo a administração do Sesi à do Senai (mantido também pela contribuição compulsória de 1%).

Os resultados no Sesi chamaram a atenção de Piva. A proposta de reestruturação da Fiesp, defendida pelo herdeiro da Klabin durante a campanha à presidência da entidade, não tinha avançado muito além do afastamento, em 1999, de 140 dos 560 funcionários da sede. Vaz teria, na visão de Piva, as habilidades necessárias para encarar a missão de modernizar, profissionalizar a Federação. Em março, Vaz passou a dar expediente diário no prédio piramidal da Avenida Paulista. Ele garante que não recebe salário, não usa carro da entidade e paga, do próprio bolso, as refeições. “Trabalho até 14 horas por dia e não tenho privilégios. Quero apenas contribuir”, diz. Haja idealismo.

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