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Atitude C&A
Rede de
varejo vai investir R$ 6,5 milhões este ano em projetos
que beneficiam mais de 55 mil crianças e adolescentes
Paula
Pacheco
| Fotos:
Bio Barreira |
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REGRA
BÁSICA: Cada unidade identifica a área
de maior carência em sua região ou país
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A
holandesa C&A sempre fez questão de vincular sua
marca ao movimento jovem, até com uma certa rebeldia,
exibindo campanhas publicitárias que usam e abusam
de cores, sons e personagens semelhantes aos de histórias
em quadrinhos. O mesmo expediente é usado pela empresa
quando o assunto extrapola o interior de suas 66 lojas espalhadas
pelo Brasil. Na área social, a C&A também
usa e abusa. Está envolvida atualmente em 120 projetos
com crianças e adolescentes nas 32 cidades em que mantém
operações. A rede já investiu US$ 28
milhões nas empreitadas sociais. Este ano, a verba
será de R$ 6,5 milhões, o que deve beneficiar
55 mil jovens e crianças.
Entre os projetos de maior visibilidade está a parceria
com o CCCA (Centro Comunitário da Criança e
do Adolescente), localizado no bairro da Liberdade, região
central de São Paulo. O principal objetivo da entidade
criada há 16 anos por um padre que foi menino
de rua é preparar os jovens carentes para o
mercado de trabalho. Carlos Eduardo Soares e Nara Melo, ambos
com 15 anos, já sentiram na pele o empurrão
de quem investe no terceiro setor. Soares aprendeu os macetes
do comércio e hoje é vendedor de um loja de
artigos esotéricos. Nara ainda está na fase
de aprendizado. Freqüenta os cursos de informática
e de corte e costura. Os dois fazem parte de uma turma de
120 adolescentes que até bem pouco tempo perambulava,
sem ocupação, pelo centro de São Paulo.
Muitos dos alunos eram moradores de rua. Outros, viviam em
cortiços.
Balanço social. As fundações ou
instituições são entidades sem fins lucrativos.
O retorno com este tipo de atividade é institucional,
algo que agrega valor à marca da empresa e não
diretamente ao balanço contábil. Não
dá, por exemplo, para saber quantos clientes passaram
a comprar nas lojas da C&A simplesmente por saber que
seus acionistas abrem mão de parte dos lucros para
ajudar jovens carentes em todo o País. Certamente há
simpatizantes da causa que passaram a montar o guarda-roupa
com os modelitos da loja, mas é algo difícil
de se mensurar. A única forma de medir o resultado
que temos com o terceiro setor é pelo número
de vidas modificadas pelos projetos que apoiamos, afirma
Pedro Lins, diretor-presidente do Instituto C&A.
A
decisão de concentrar esforços no apoio a crianças
e adolescentes no Brasil obedeceu uma regra básica
do Instituto C&A: identificar as principais falhas de
cada região, evitando padronizar o processo. Na
Inglaterra, por exemplo, onde a C&A também atua
no terceiro setor, os idosos são o público-alvo.
Já na Argentina, onde o instituto vai começar
os trabalhos no segundo semestre, as atividades de apoio deverão
se estender aos projetos ligados ao meio ambiente, explica
Lins. No Brasil, 7 mil voluntários participam das atividades
do instituto, o que equivale a cerca de 17% dos funcionários
da C&A. Todos são preparados antes de arregaçar
as mangas e passam por programas de treinamento.
A idéia é aproveitar o potencial dos funcionários
em suas respectivas áreas de atuação.
Os vendedores e gerentes das lojas, por exemplo, são
encarregados de ensinar os jovens a trabalhar com o comércio.
Eles dão dicas de atendimento ao cliente, montagem
de vitrines e controle financeiro do negócio. O aprendizado
já surtiu efeito: organizados, os jovens já
conseguiram abrir três pequenas lojas. São empreendimentos
auto-sustentáveis, com um afinado fluxo de caixa, controle
de estoque e tudo o mais que reza a cartilha de administração
de qualquer negócio.
Sem paternalismo. "Cada funcionário contribui
com o que sabe, com o que tem de bom, diz Lins. Um dos
segredos para o sucesso das iniciativas sociais, segundo o
presidente do Instituto C&A, é evitar o paternalismo
ou apenas a subvenção de projetos. É
preciso acompanhar cada passo do processo. Somos o motor
de arranque de um trabalho, nunca o combustível,
explica. Lins recebe uma média de 1.000 projetos por
ano, mas apenas 25% deles saem do papel. Quem investe
no terceiro setor nunca mais consegue abandonar a atividade.
É como se tivesse sido picado por uma mosquinha azul.
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