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BANCOS
O touro atropelou
Cheque especial dá prejuízo ao Santander

Marcelo Aguiar

O PREÇO DA OUSADIA: O touro que simbolizava os juros no anúncio da TV acabou atingindo o banco

Nas praças de Madri, qualquer criança aprende que brincar com um touro pode ser perigoso. O banco Santander, ainda dando os primeiros passos no Brasil, ignorou o risco e acabou ferido. A campanha que lançou o banco no mercado brasileiro, a do Supercheque (um cheque especial que cobra juros decrescentes à medida em que o correntista mergulha mais fundo no vermelho), acabou custando perto de R$ 90 milhões aos cofres da instituição no ano passado, segundo pessoas com acesso à área de crédito. Foi o resultado do destemor que os primeiros comerciais do banco no País, com alusões às touradas, incutiam nos clientes. No anúncio, um touro representava os juros do cheque especial e ficava menor à medida em que era mais provocado. Logo, lotes de correntistas se animaram a atolar o pé no especial até não conseguir mais sair. O banco, porém, sustenta que a inadimplência média é apenas a prevista e jura que ganha dinheiro com o produto – embora não apresente os números, alegando sigilo comercial. “Essa é nossa principal carteira. Falar mal dela é pura guerra comercial”, protesta o diretor de relações institucionais do banco, Evandro Pagy.

O susto com o Supercheque, principal chamariz de clientes para o banco, precipitou uma virada no Santander. O banco continua com sua rede de agências, mas o crédito vai passar longe delas. Notas explicativas no balanço do ano passado indicam essa diretriz: o Santander vai diminuir sua carteira de crédito no varejo (pessoas físicas) e no middle market (as operações para pequenas empresas), para, em contrapartida, aumentar os negócios com grandes corporações. O perfil do banco no Brasil, com isso, afasta-se do modelo ultravarejista da matriz, na Espanha, e fica mais parecido com o das operações do grupo nos Estados Unidos.

A guinada veio após uma dança de cadeiras na direção do banco. Emílio Botin se afastou do comando executivo na matriz e, com ele, foi-se a diretoria anterior do Santander no Brasil. Antônio Horta, presidente até o ano passado, foi convidado a migrar para Portugal e deu lugar para Gabriel Jaramillo, que chegou com a missão número um de melhorar a carteira de ativos. Jaramillo vendeu a financeira que Horta havia montado e deu um passo decisivo para o atacado ao comprar o Bozano, Simonsen.

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