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PROCESSO
DO NACIONAL
A
reação do banqueiro Magalhães
Depois
de ser punido pelo BC, o ex-controlador do Banco Nacional
prepara o contra-ataque
Joaquim
Castanheira
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Foto:
Prensa Três
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| MAGALHÃES:
Preparação silenciosa do contra-ataque desde
que o Nacional foi incorporado pelo Unibanco |
O sumiço do processo do Banco Nacional, liquidado em
1996, parece ter feito o assunto ressurgir das cinzas. No
último dia 13 de abril, o Banco Central anunciou que
o empresário Marcos Magalhães, controlador do
banco, ficava impedido de atuar no mercado financeiro nos
próximos 20 anos. Se o impeachment empresarial
significa o fim de uma longa hibernação do processo,
por outro pode marcar o início da reação
do contra-ataque de Magalhães. Silencioso desde que
sua instituição foi incorporada pelo Unibanco,
Magalhães e seus advogados não pararam de trabalhar
um só momento. Nas próximas semanas, o resultado
desse trabalho pode vir à luz. Algumas linhas de atuação
no caso já estão delineadas.
O primeiro passo será entrar com um recurso junto ao
Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o Conselhinho,
para reverter a decisão do Banco Central. A decisão
foi jogada para a torcida, diz Márcio Costa,
um dos advogados da família Magalhães, responsável
pelos processos cíveis. Costa centrará a argumentação
no fato de que não houve oportunidade para a defesa
se manifestar. Pedimos, por exemplo, vistas dos relatórios
de fiscalização do BC no Nacional e negaram,
dizendo que isso era irrelevante, diz.
Nos
processos, os advogados defenderão duas teses. Uma:
as famosas 650 contas fantasmas nada tinham de fictícias.
Eram contas de pessoas inadimplentes com o banco,
diz o advogado Nélio Machado, responsável pela
defesa dos Magalhães no processo criminal que os acusa
de gestão fraudulenta. O erro, mas não
má-fé, foi colocá-las na coluna de créditos
a receber e não na de créditos podres.
Isso foi feito na tentativa de salvar o banco. A segunda argumentação:
Magalhães e seus irmãos, Fernando e Eduardo,
haviam se recolhido desde 1987 ao Conselho de Administração
do banco e, portanto, não tomavam decisões do
dia-a-dia, o que os isentaria de responsabilidade em possíveis
erros contábeis.
Machado ainda pretende levantar outras questões que,
segundo ele, estão mal explicadas. Houve quatro
fitas com gravações telefônicas de conversas
de executivos do Banco Nacional, diz ele. Duas
delas foram apagadas e as outras duas apresentam falhas na
gravação. Por que foram apagadas? Qual o conteúdo?
Enquanto isso, Magalhães vai criando uma nova rotina
em sua vida. O isolamento adotado logo após a incorporação
de seu banco foi sendo rompido dentro dos limites de
discrição que sempre caracterizaram seu comportamento.
Religioso, ele voltou a freqüentar as missas aos domingos.
Em alguns fins de semana, acompanhado pela mulher e um motorista,
desloca-se em seu Mercedes-Benz até a casa que possui
em Petrópolis, hábito que havia abandonado.
As caminhadas pelos jardins de sua imensa casa, no bairro
da Gávea, no Rio de Janeiro, foram retomadas. Elas
dividem seu tempo com a leitura de livros e o estudo dos processos
criminais e cíveis. Esse é, segundo confidenciou
a um de seus amigos, o principal trabalho de minha vida.
Colaborou
Simone Goldberg
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