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CREDIÁRIO
O
ataque a Sílvio
Financeiras
avançam sobre mercado paulista de crediário,
dominado pelo banco do dono do SBT
Lucia
Kassai
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Fotos:
Calé
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| LEONEL,
DA LOSANGO: Reforço nas parcerias para enfrentar
o líder PanAmericano |
Há uma guerra em andamento no centro de São
Paulo. Os invasores são o Fininvest e a Losango, as
duas maiores financeiras do País. O alvo do bombardeio
é o banco PanAmericano, do empresário e apresentador
de TV Silvio Santos. E o motivo da briga é a disputa
pelo gordo mercado de crediário na capital paulista,
em que o braço financeiro do dono do SBT reina de maneira
absoluta. Segundo os analistas, o financiamento de bens em
lojas populares é um dos filões que mais prometem
crescer este ano, graças ao consumo aquecido entre
as classes C, D e E. Para vencer a batalha, os adversários
estão abrindo novas agências, reduzindo taxas
de juros, investindo pesado em propaganda e brigando por acordos
com lojistas.
Não é a primeira vez que concorrentes tentam
avançar sobre o território de Silvio Santos.
Empresas como a americana GE Capital, braço da General
Electric, já tentaram a mesma invasão, e fracassaram.
Mas os novos concorrentes acham que o combate vale a pena.
A financeira Losango, pertencente ao grupo inglês Lloyds
TSB, abriu nove lojas nos últimos seis meses, e discretamente
tenta ampliar seu exército de parcerias comerciais.
Com essa estratégia, dobrou sua carteira de empréstimos
pessoais nos últimos doze meses. Queremos que
São Paulo represente 20% da nossa receita até
o ano 2001, diz Leonel Dias de Andrade Neto, presidente
da Losango. Hoje, a cidade responde por meros 10% dos empréstimos
do grupo. A Fininvest, cujo controle é dividido entre
Icatu e Unibanco, abriu 12 lojas na cidade, reduziu os juros
dos empréstimos pessoais e iniciou uma agressiva campanha
de marketing, que inclui desde aparições no
Domingão do Faustão a bandas de música
animando as lojas em que atua.
A guerra tem um objetivo claro derrubar a muralha montada
pelo apresentador do SBT ao redor de São Paulo. Embora
Fininvest e Losango sejam, respectivamente, líder e
vice-líder no País, em São Paulo ficam
apenas com migalhas. Na cidade, o PanAmericano é responsável
por 90% dos crediários de material de construção,
80% no segmento de computadores pessoais, 70% nas lojas de
móveis populares e 30% do financiamento da venda de
automóveis novos. Estamos prontos para o combate,
diz Wilson de Aro, diretor operacional do PanAmericano.
Para quem está chegando, a dificuldade será
superar os acordos que o PanAmericano tem com alguns grandes
fornecedores. Do seu batalhão de parceiros participam
BCP, Compaq, Pão de Açúcar e redes de
material de construção como Telhanorte e Madeirense.
Um dos principais acordos, por exemplo, é com a BCP,
que permite financiar um celular em até onze vezes
pelo preço à vista. Como? O PanAmericano consegue
os telefones com um desconto absurdo. Embute os juros no preço.
O banco arca com o risco do negócio, ou seja, a possível
inadimplência. E a BCP se compromete a não dar
desconto no preço à vista, para garantir a comissão
do financiador.
Eficiência.
O banco do Silvio Santos é uma empresa extremamente
eficiente e bem estruturada, diz um analista do setor.
Investimos US$ 6 milhões nos últimos três
anos em tecnologia de crédito. Esse é o nosso
segredo, afirma De Aro. Por meio de modelos matemáticos,
ele consegue projeções confiáveis sobre
inadimplência e perfis precisos de seus clientes. Mesmo
com a ofensiva dos competidores, o banco do apresentador espera
terminar o ano com R$ 900 milhões em empréstimos
(50% mais que em 1999). A financeira fechou o último
balanço com retorno de 25% sobre o patrimônio
a média do setor é 18,9%. Agora, quer
expandir operações em outros Estados, abrindo
32 novas lojas. Além de ganhar em escala, busca fugir
do desemprego em São Paulo e da inadimplência
que o acompanha.
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