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Foto:
Gustavo Lourenção
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IB
TEIXEIRA: Nosso exército de vigilantes equivale
a um terço da
população do Uruguai |
DINHEIRO Mas, para quem vende serviços, trata-se
então de um bom nicho de atuação.
TEIXEIRA Até mesmo multinacionais como
a Phillips estão entrando com força no mercado.
Ela tem uma divisão de Business Eletronic que chega
a faturar R$ 1,5 bilhão com a venda de produtos como
câmeras de segurança, vídeos, circuitos
fechados de tevê para bancos, fábricas e lojas.
É um mercado tão dinâmico que envolve,
só em vigilantes, cerca de um milhão de pessoas
trabalhando. Boa parte, diga-se de passagem, clandestina.
É o equivalente a um terço da população
uruguaia ou vinte vezes o efetivo da polícia militar
e civil do Rio. Ou, para impressionar mais, digo que esse
contingente de guardas é 3,5 vezes maior que o conjunto
de homens nas Forças Armadas brasileiras.
DINHEIRO
Há muitos investimentos feitos pelas empresas
ligadas à área para conquistar clientes?
TEIXEIRA Trata-se de um ramo bastante competitivo,
em que floresce também a informalidade. Mas pelos menos
R$ 500 milhões vêm sendo investidos nos últimos
anos por empresas que trabalham mais especificamente com vigilância
eletrônica, para aprimorar e introduzir no País
tecnologias avançadas. Algumas empresas fazem associações
com outras, americanas, para dispor de centro operacional
com utilização de satélites para a localização
de veículos. Já há até um curso
avançado de segurança empresarial de extensão
universitária, batizado de MBS, Master Business Security,
lançado por uma empresas especializada.
DINHEIRO O sr. acha que o Brasil vive uma situação-limite?
Quais as conseqüências dessa situação?
TEIXEIRA Temos 35 mil homicídios por
ano, em média, nos últimos dez anos. Isso é
mais do que as guerras de Kosovo, da Chechênia, Caxemira
entre outras. Para mim, vivemos uma guerra civil não
declarada e o que está em risco é a democracia.
DINHEIRO
Na sua opinião, a onda de violência pode
afastar investimentos estrangeiros do Brasil?
TEIXEIRA Não se tem investimentos numa
cidade, num País, sem segurança pública,
sem saúde e sem educação. Mas acho que
ainda é cedo para que os investimentos estrangeiros
se afastem. Se nada for feito para modificar o quadro atual,
minha resposta será sim. Estamos caminhando para nos
tornar uma Colômbia, onde existe uma guerra civil e
os investimentos foram embora. Episódios como o do
cônsul alemão, que foi assaltado e baleado em
São Paulo, trazem repercussões negativas e podem
minar lentamente o processo de desenvolvimento do Brasil.
DINHEIRO
Quais as semelhanças entre Brasil e Colômbia?
Por que o sr. pensa que estamos trilhando o caminho colombiano?
TEIXEIRA A Colômbia é, geograficamente,
um mini-Brasil. Tem Amazônia, um belo litoral, é
produtor de café, teve um grande crescimento industrial,
acompanhou o Brasil em muitos aspectos. Até o sistema
penal colombiano é parecido com o nosso, bastante tolerante.
Essa violência que existe no Brasil torna o País
vulnerável a pressões estrangeiras, assim como
aconteceu na Colômbia.
DINHEIRO
Mas o sr. acha que pode chegar a ponto de potências
estrangeiras desejarem uma intervenção no Brasil?
TEIXEIRA Nós caminhamos para uma coisa
dessa, até porque há investimentos estrangeiros
aqui que são importantes o suficiente para despertar
esse desejo. Já se fala nisso em relação
à Amazônia.
DINHEIRO
Qual a solução para reduzir a violência
brasileira?
TEIXEIRA Nossa violência é caracterizada
pelo homicídio. Não é como na Argentina,
onde o desemprego tem feito aumentar a criminalidade, mas
restrita a furtos. Para encontrarmos a solução
para o Brasil é preciso chegar às raízes
do problema. E uma delas, além das causas sociais,
é a legislação penal, que é desastrada.
Uma pessoa assassina outra e pode sair em liberdade quatro
ou cinco anos depois. Outra é a televisão, que
ajuda a propagar a violência. Deve haver um controle
da programação. Também defendo a participação
das Forças Armadas, controlando a entrada de armas
no País e erradicando plantação de drogas.
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