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  - nº 139
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Foto: Gustavo Lourenção
IB TEIXEIRA: “Nosso exército de vigilantes equivale a um terço da
população do Uruguai”

DINHEIRO – Mas, para quem vende serviços, trata-se então de um bom nicho de atuação.
TEIXEIRA –
Até mesmo multinacionais como a Phillips estão entrando com força no mercado. Ela tem uma divisão de Business Eletronic que chega a faturar R$ 1,5 bilhão com a venda de produtos como câmeras de segurança, vídeos, circuitos fechados de tevê para bancos, fábricas e lojas. É um mercado tão dinâmico que envolve, só em vigilantes, cerca de um milhão de pessoas trabalhando. Boa parte, diga-se de passagem, clandestina. É o equivalente a um terço da população uruguaia ou vinte vezes o efetivo da polícia militar e civil do Rio. Ou, para impressionar mais, digo que esse contingente de guardas é 3,5 vezes maior que o conjunto de homens nas Forças Armadas brasileiras.

DINHEIRO – Há muitos investimentos feitos pelas empresas ligadas à área para conquistar clientes?
TEIXEIRA –
Trata-se de um ramo bastante competitivo, em que floresce também a informalidade. Mas pelos menos R$ 500 milhões vêm sendo investidos nos últimos anos por empresas que trabalham mais especificamente com vigilância eletrônica, para aprimorar e introduzir no País tecnologias avançadas. Algumas empresas fazem associações com outras, americanas, para dispor de centro operacional com utilização de satélites para a localização de veículos. Já há até um curso avançado de segurança empresarial de extensão universitária, batizado de MBS, Master Business Security, lançado por uma empresas especializada.

DINHEIRO – O sr. acha que o Brasil vive uma situação-limite? Quais as conseqüências dessa situação?
TEIXEIRA –
Temos 35 mil homicídios por ano, em média, nos últimos dez anos. Isso é mais do que as guerras de Kosovo, da Chechênia, Caxemira entre outras. Para mim, vivemos uma guerra civil não declarada e o que está em risco é a democracia.

DINHEIRO – Na sua opinião, a onda de violência pode afastar investimentos estrangeiros do Brasil?
TEIXEIRA –
Não se tem investimentos numa cidade, num País, sem segurança pública, sem saúde e sem educação. Mas acho que ainda é cedo para que os investimentos estrangeiros se afastem. Se nada for feito para modificar o quadro atual, minha resposta será sim. Estamos caminhando para nos tornar uma Colômbia, onde existe uma guerra civil e os investimentos foram embora. Episódios como o do cônsul alemão, que foi assaltado e baleado em São Paulo, trazem repercussões negativas e podem minar lentamente o processo de desenvolvimento do Brasil.

DINHEIRO – Quais as semelhanças entre Brasil e Colômbia? Por que o sr. pensa que estamos trilhando o caminho colombiano?
TEIXEIRA –
A Colômbia é, geograficamente, um mini-Brasil. Tem Amazônia, um belo litoral, é produtor de café, teve um grande crescimento industrial, acompanhou o Brasil em muitos aspectos. Até o sistema penal colombiano é parecido com o nosso, bastante tolerante. Essa violência que existe no Brasil torna o País vulnerável a pressões estrangeiras, assim como aconteceu na Colômbia.

DINHEIRO – Mas o sr. acha que pode chegar a ponto de potências estrangeiras desejarem uma intervenção no Brasil?
TEIXEIRA –
Nós caminhamos para uma coisa dessa, até porque há investimentos estrangeiros aqui que são importantes o suficiente para despertar esse desejo. Já se fala nisso em relação à Amazônia.

DINHEIRO – Qual a solução para reduzir a violência brasileira?
TEIXEIRA –
Nossa violência é caracterizada pelo homicídio. Não é como na Argentina, onde o desemprego tem feito aumentar a criminalidade, mas restrita a furtos. Para encontrarmos a solução para o Brasil é preciso chegar às raízes do problema. E uma delas, além das causas sociais, é a legislação penal, que é desastrada. Uma pessoa assassina outra e pode sair em liberdade quatro ou cinco anos depois. Outra é a televisão, que ajuda a propagar a violência. Deve haver um controle da programação. Também defendo a participação das Forças Armadas, controlando a entrada de armas no País e erradicando plantação de drogas.

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