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AÇÕES
Nova ou velha economia?
Na dúvida,
fique com papéis de empresas que têm um pé
em cada uma, como as de energia
Luiz
Antonio Cintra
| Arte:
Tato |
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AÇÕES
HÍBRIDAS: Velha economia se prepara para usar
sua Infra-estrutura e faturar com a Internet
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As
ações do setor de energia elétrica sempre
foram indicadas para aquele investidor que não tem
receio de ser chamado de conservador. São papéis
que costumam enfrentar bem os momentos de turbulência,
já que o consumo de energia tende a ser estável.
Também são pouco especulativos e a rentabilidade
está atrelada à receita definida, no caso das
empresas de distribuição e transmissão,
pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Nada
mais ''velha economia'', certo? O desempenho de algumas elétricas
neste início de ano desfaz rapidamente essa impressão.
Elas tiveram valorizações mais que respeitáveis,
em alguns casos superiores a 50% em menos de três meses.
A explicação é uma só: o mercado
já percebeu que elas estão colocando um pé
na nova economia e se preparam para usar a infra-estrutura
que possuem para faturar com a Internet.
O negócio funciona da seguinte forma: as empresas de
distribuição instalam em suas linhas os cabos
de fibra ótica que podem ser usados para transmissão
de dados, som e imagem. A iniciativa mais recente foi anunciada
pela Light, que pretende investir R$ 30 milhões na
sua subsidiária Light Telecom. O primeiro projeto de
maior porte da LT será construir uma infovia de 650
quilômetros na região metropolitana do Rio de
Janeiro. ''A grande questão é saber o que as
empresas pretendem fazer com as infovias que estão
construindo'', diz a analista Wang Horng, da corretora paulistana
Planner. ''Uma coisa será simplesmente fornecer essa
nova infra-estrutura para provedores de Internet e empresas
de telecomunicação, os maiores interessados.
Outra coisa será elas criarem seus próprios
negócios na rede de computadores'', diz a analista.
Sem dúvida o potencial de lucro será muito maior
para aquelas empresas que mergulharem de fato na economia
virtual, lançando seus próprios sites e portais,
vendendo conteúdo, enfim. ''Se elas se limitarem a
alugar seus cabos para terceiros, o potencial de ganho será
bem menor'', considera Wang.
O investidor interessado nesse ''mix'' de velha e nova economia
deve considerar ainda outro ponto. A entrada nesse novo nicho
será mais rentável para as empresas de menor
porte. No caso de uma Light, por exemplo, o impacto dos resultados
da sua subsidiária LT será proporcionalmente
bem menor do que seria na Empresa Paulista de Transmissão
de Energia (EPTE), surgida da divisão da Eletropaulo.
Isso ajuda a entender porque as ações da EPTE
subiram 85% desde o início do ano e assim assumiram
a primeira posição no ranking do setor, enquanto
as ações da Light apresentaram uma valorização
de ''apenas'' 15,6% no mesmo período. O desempenho
da EPTE, bem como o da Transmissão Paulista (fruto
da cisão da Cesp), dizem os especialistas, deve servir
de alerta para os investidores. Fica a impressão de
que os preços subiram demais, na onda que arrastou
papéis como Globo Cabo e mesmo Bradesco, e já
teriam começado a passar por uma correção.
Márcio
Mancini, analista da corretora Hedging-Griffo, concorda que
a melhor estratégia é ter cautela para não
embarcar numa canoa furada. É preciso escolher bem
quais as empresas com reais possibilidades para ganhar dinheiro
nesse negócio. Ele cita o exemplo da paranaense Copel,
a empresa de energia com maior apetite pelo mercado de transmissão
de dados. Com cerca de 4 mil quilômetros de fibra ótica
instalados, o lado ''nova economia'' da empresa valeria aproximadamete
R$ 260 milhões, sendo que o valor de mercado de toda
a Copel era de R$ 4,162 bilhões na semana passada.
A Copel teria portanto pouco a ganhar na operação
em termos de rentabilidade. ''As empresas de energia deverão
se concentrar no mercado corporativo, enquanto as empresas
de telecomunicações deverão abocanhar
o mercado de pessoas físicas. A concorrência,
de qualquer forma, vai ser grande'', acredita Mancini. Os
analistas concordam, entretanto, que potencial é o
que não falta quando se trata de negócios ligados
à nova economia. Mas é bom estar avisado: apostar
nesses papéis vai exigir uma boa dose de paciência
e, claro, sangue frio.
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