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JUROS
Crédito - Hora do bom pagador
Quem paga em dia consegue juros mais baixos

Fabiana Godoy

Foto: Biô Barreira
SOCHA, DO BRADESCO: Inadimplência cai e bancos espremem as taxas

O Brasil ocupa o terceiro lugar numa disputa nada honrosa: a dos países com as maiores taxas de juros do mundo. “Eles sobem de elevador e descem de escada”, diz Rodrigo Moratelli, consultor financeiro da MCA Consultoria. Não bastasse isso, por aqui os bons pagadores sempre pagam a conta dos caloteiros. Ou seja, quem precisa de dinheiro emprestado se submete a juros calculados sobre uma taxa de risco usada de proteção à inadimplência. “Quem não paga o banco em dia transfere o custo para os que o fazem”, explica o ex-ministro Mailson da Nóbrega, da Tendências Consultoria. Pois bem, com todo este quadro nada animador, existe uma notícia excelente para você que precisa de crédito e paga suas dívidas em dia. Esta é a melhor hora para colocar seu gerente contra a mesa e barganhar uma boa taxa de juro. Começa a cair por terra a idéia de que os bons e os maus pagadores devem ser agrupados na mesma cesta, a dos inadimplentes. O Unibanco, por exemplo, anunciou uma redução de 0,5% a 2% no cheque especial, em que os melhores correntistas vão ficar com o maior desconto. “O bom cliente deve ser estimulado a pegar dinheiro emprestado”, analisa Saulo Krichanã Rodrigues, diretor da Virtual Vendor Fomento Mercantil. “Os bancos agora olham para aquele que acerta, e não só o que erra “, completa.

Foto: Ciete Silvério
ESTEVÃO, DO UNIBANCO: nota será regra comum

A mola propulsora da mudança tem sido a livre concorrência. “A competição entre os bancos está ficando mais intensa e ajudando na queda dos juros”, diz Waldemar Petty, diretor de vendas e distribuição do Citibank. “Quando você estipula uma taxa há um cliente na outra ponta pronto a escolher um concorrente por uma questão de dígitos”, diz ele. Um exemplo é o que aconteceu na semana retrasada quando o BC reduziu o compulsório sobre depósitos à vista de 65% para 55%. Em menos de dois dias sete dos dez maiores bancos brasileiros baixaram suas taxas do cheque especial, do CDC, do leasing e do crédito pessoal. Outro estímulo do BC na direção dos bons pagadores foi uma norma que entrou em vigor no início do mês e exige que os bancos dêem notas a seus clientes na hora da tomada do empréstimo. O ranking vai de AA a H de acordo com o nível de risco do negócio e pega, a princípio, ope-rações a partir de R$ 500 mil e a partir de julho, superiores a R$ 50 mil. A nota será submetida ao BC, que exigirá provisionamento maior nos casos de mais risco. Ou seja, empréstimo para mau pagador sairá mais caro para o banco. É óbvio que os grandes bancos já co-nhecem seus melhores consumidores e os gratificam por isso. Citibank, Unibanco, Real-ABN Amro e outros usam o chamado credit score, onde as boa taxas acabam ficando com os melhores clientes. “O que antes era a cultura de algumas instituições agora passa a ser a do mercado”, diz Rogério Estevão, diretor de produtos do Unibanco.

A competição dos bancos pelos melhores clientes é confirmada pela expansão do crédito pessoal no último ano. Houve um salto de 80% entre os R$ 5,4 milhões concedidos em fevereiro de 1999 e os R$ 9,7 milhões do mês passado. Some-se a isso a queda da inadimplência (no sistema Telecheque a redução foi de 21,74% em fevereiro) e os sinais que o BC vem dando desde 1999 de que quer reduzir os juros (com a redução da taxa básica dos juros e do IOF, o fim do compulsório sobre depósito a prazo, a perspectiva de voltar a baixar o do à vista); e tem-se um quadro otimista. “A roda começa a girar”, comemora Sérgio Socha, vice-presidente executivo do Bradesco. “Os juros vão para baixo e trazem a tendência de queda de inadimplência”. É esperar para ver. A queda dos juros anuais pode chegar a até 3 pontos percentuais no decorrer deste ano e em 60 a 90 dias os bons pagadores estarão sentindo isso.

 


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