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EDITORIAL
Larry e a escalada do Everest

É de uma dificuldade draconiana alçar um posto no clube do Primeiro Mundo. Países ditos emergentes como o Brasil têm tentado arduamente nos últimos tempos. E ainda aguardam. Há os que chegam rápido. Na base do milagre. Economias asiáticas deram o tom, numa fórmula discutível e de conseqüências, em alguns casos, desastrosas. Para outros, a empreitada é uma aventura. Como a escalada do Everest, segue cheia de armadilhas, repleta de trilhas sem saída. Os emergentes, em certos momentos, parecem condenados a viver no limbo. Equilibram-se entre o eterno desejo de ganhar espaço na patota dos ricos e o temor de condenação no parque dos pobres irremediáveis. A ponte entre os dois mundos foi plantada no crédito internacional, nas fontes de financiamento da transformação. Continua assim hoje, como única via de acesso. Justo neste canal, um senhor de cara rechonchuda e ações ríspidas iniciou um movimento de demolição. Larry Summers, o secretário do Tesouro americano, deseja cortar o caminho para o clube. Disse que organismos multilaterais como o Banco Mundial e o FMI devem cobrar mais pelo crédito e ter, gradualmente, reduzido o volume de empréstimos em ajuda. “É preciso estar preparado para não emprestar caso não se acredite que o dinheiro será usado de forma eficiente”, decretou o senhor Larry Summers. Apontou que apenas aos realmente pobres e desvalidos deve ser reservado o dinheiro gasto por essas instituições. Virou o porteiro do clube dos ricos, dando cara e voz a uma onda crescente. O secretário quer cortar na veia o fôlego dos emergentes para disputar espaço no mercado global. São as novas regras do jogo aberto. Mas contra elas, países como o Brasil devem buscar atuação em bloco, via Mercosul, contornando situações como a que agora aparece nas negociações com a Argentina.

Carlos José Marques

 


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