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DESEMBARQUE
A volta da De Longhi
Após
dois anos de ausência no mercado, marca italiana de
eletroportáteis retorna ao País com um novo
sócio: sai a família Senna e entra o empresário
Nildo Masini
Paula
Pacheco
| Foto:
Biô Barreira |
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O
DIRETOR SIMÃO: Planos de montar no Brasil a primeira
fábrica fora da Itália
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Os
italianos da De Longhi fizeram as malas novamente e desembarcam
no Brasil no próximo mês. Assim como da primeira
vez, estão se associando a um grupo brasileiro forte
para tentar por aqui o mesmo desempenho que têm em países
como Estados Unidos e Japão. Quem vai cuidar do negócio
no País é o empresário Nildo Masini,
60 anos, presidente do Grupo Masini e um dos vice-presidentes
da Fiesp. Da outra vez que esteve no País os produtos
foram comercializados durante quatro anos numa associação
entre a família de Ayrton Senna e a De Longhi, que
até a morte do piloto, em 1994, era sua patrocinadora
na Fórmula I. A marca teve um crescimento rápido.
Em 1997, quando as vendas tiveram seu melhor desempenho, o
faturamento chegou a US$ 20 milhões. A família
preferiu concentrar-se em outros negócios e no fim
de 1998 o contrato foi desfeito.
Nildo Masini participou pessoalmente das negociações
com a De Longhi e contou com uma ajuda, a descendência
dos avós, que deu a ele a cidadania italiana. A
negociação fica mais fácil assim. Afinal,
falamos alto, mexemos muito as mãos e temos bom humor,
afirma o empresário ítalo-brasileiro, sem esconder
planos bem ambiciosos para o futuro da De Longhi. Os novos
sócios pretendem investir R$ 10 milhões para
montar uma fábrica no Brasil a primeira fora
da Itália que deverá ser inaugurada até
o fim do ano. Nela, em uma primeira fase, os produtos serão
apenas montados com componentes importados. O local só
será conhecido em maio. Os diretores da empresa estão
estudando propostas de São Paulo, Paraná, Bahia
e Espírito Santo. Não há nada previsto
em contrato, mas Nildo Masini admite a possibilidade de a
fábrica brasileira servir como base de exportação
para os países da América do Sul. Da primeira
vez que a empresa esteve no Brasil também existia o
compromisso de ser construída uma unidade de produção
em Manaus, que ficou apenas no papel.
R$
10 milhões
é quanto a empresa pretende investir na unidade
industrial
R$ 50 milhões
é a previsão de faturamento em cinco anos
de Brasil
US$
2,5 bilhões
Foi a receita do grupo em 1999
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Como
em todo negócio, a volta da De Longhi também
tem um risco de não dar certo. O motivo é exatamente
o entra-e-sai da marca no Brasil no passado. Segundo o presidente
do grupo no Brasil, o consumidor aceita muito bem os produtos
italianos e não há chance de o negócio
não decolar. Sabemos muito bem o que esperar
do mercado brasileiro. Encomendamos uma pesquisa e 90% das
pessoas ouvidas dizem que voltariam a comprar a marca,
diz Masini. Outra vantagem da marca, de acordo com o empresário,
é que os produtos chegarão ao mercado com preços
muito próximos da concorrência. Boa parte da
linha de produtos como aquecedores, aparelhos de ar-condicionado
e cafeteiras é destinada à classe média.
O primeiro lote de produtos, num total de 20 mil itens, já
chegou ao Brasil e custou R$ 4 milhões.
Para chegar ao faturamento de R$ 10 milhões até
o fim do ano, o diretor comercial e de marketing da De Longhi,
Américo Simão, que já tinha trabalhado
na empresa no passado, não quis perder tempo e tratou
de correr atrás das principais redes de varejo para
falar do relançamento da marca. A estratégia
de Simão para que as vendas cresçam rapidamente,
porém, deve ir além do varejo tradicional e
vai incluir canais alternativos de venda, como os sites de
comércio eletrônico.
Na
Itália, a De Longhi existe há mais de cem anos
e é uma das maiores empresas no setor de eletroportáteis.
A empresa é a criadora do ar-condicionado portátil
e tem a liderança mundial no mercado de aquecedores.
A companhia, dividida em 11 empresas e espalhada por 100 países,
está em fase de abertura de capital e no ano passado
faturou US$ 2,5 bilhões. Quase 4 mil funcionários
trabalham nas nove fábricas do grupo.
A política da empresa na Itália é sempre
ouvir o que pensam seus consumidores. Para isso, a De Longhi
conta com a ajuda de um grupo de 100 mulheres, todas donas
de casa, que opinam sobre os lançamentos e fazem sugestões
sobre possíveis alterações nos modelos.
O modelo não deve ser copiado no Brasil, mas Nildo
Masini afirma: Se queremos trazer um consumidor com
um gosto diferenciado, temos de conhecê-lo e tratá-lo
muito bem.
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