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SAÚDE
DE FERRO
Panarello quebra o silêncio
A receita
do maior distribuidor de remédios do País
| Foto:
Ciete Silvério |
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PAULO
PANARELLO: O garoto que vendia pirulito na feira hoje
fatura R$ 1,5 bilhão por ano
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Pouco
familiarizado com entrevistas, Paulo Panarello Neto sua frio
diante do gravador. Às vezes gagueja, em outras pede
desculpas por não expressar com desenvoltura. É
compreensível. Em seus 50 anos, ele poucas vezes preocupou-se
com assédio da mídia e com a presença
nos noticiários. O paulista Panarello sempre trabalhou
em silêncio. Há 25 anos instalou-se em Goiânia
e, dali, forjou uma impressionante trajetória empresarial,
de vendedor de pirulitos de caramelo produzidos artesanalmente
pela mãe nas feiras de São Caetano do Sul, na
Grande São Paulo, a proprietário da maior distribuidora
de medicamentos do País. Praticamente desconhecida
fora do métier, a Panarello integra o seleto clube
das companhias bilionárias no Brasil. No ano passado,
faturou R$ 1,5 bilhão atuando em nada menos de 22 Estados.
Possui três mil empregados e seus 482 veículos
inclui-se aí peruas, caminhões e até
aviões rodam 240 mil quilômetros diários
para levar 1 milhão de caixas de remédios a
35 mil pontos de venda por dia. Goiás está
estrategicamente no centro do País, diz o empresário.
Com isso, consegui atender todas as regiões e
expandir o negócio.
Panarello provavelmente permaneceria um self-made man quase
anônimo não fosse pela CPI dos Medicamentos.
Convidado pela comissão, há duas semanas ele
provou pela primeira vez do brilho dos holofotes na Câmara
dos Deputados. A experiência foi traumática.
Dono de 10% do mercado de distribuição de medicamentos,
deveria ter dado esclarecimentos sobre o funcionamento do
setor do qual é líder. Acabou sendo tratado
como suspeito de desvio de cargas e sonegação
de tributos. Como crescemos muito rapidamente, geramos
mal-estar, afirma Panarello em entrevista exclusiva
a DINHEIRO (leia quadro). A grande lição
que aprendemos dessa CPI é a de que uma organização
que atende um setor tão sensível quanto a saúde
não pode ficar voltada apenas para dentro.
Quem
conhece a empresa sabe que não se trata de retórica.
Durante um quarto de século, Panarello dedicou todo
seu tempo e o intuitivo talento para os negócios à
distribuidora. O empresário entrou para o ramo por
acaso. Fui para Goiânia disposto a montar uma
padaria, conta. Quando chegou lá, o ex-mecânico
e dono de oficina e, na época, proprietário
de uma pequena construtora, vislumbrou uma outra oportunidade.
Fiquei sabendo que havia apenas uma distribuidora na
cidade e que estava sendo desativada, lembra. Fez contatos
com laboratórios e, em pouco tempo, já estava
operando. O pulo do gato, no entanto, estava na conquista
de outros mercados. Panarello começou atuando à
distância nas capitais de outros Estados. Quando já
tinha uma pequena clientela nas cidades, alugava um armazém
e instalava a filial. Assim, o investimento já
nascia pago, diz. A fórmula nunca deu sinal de
cansaço. A contrário, virou receita de sucesso
no setor. Depois, todos os outros grandes fizeram o
mesmo.
| “NÃO
HÁ POR QUE TEMER A CPI” |
| A
seguir, trecho da entrevista de Panarello a DINHEIRO:
Dinheiro
Uma das suspeitas da CPI dos medicamentos
é a de que haveria roubo de cargas patrocinado
pelas distribuidoras contra seus próprios
estoques. Como o sr. avalia essa acusação?
Panarello Se isso fosse verdade,
a mesma regra deveria ser aplicada para o setor
de alimentos, de eletrodomésticos, de cigarros.
Nosso setor é o quarto em roubo de cargas.
No caso da Panarello, de um faturamento total
de R$ 1,5 bilhão em 1999, houve um volume
de roubos de apenas R$ 440 mil. Isso significa
apenas um real em cada R$ 3 mil vendidos. Não
há nenhum boletim de ocorrência registrado
em qualquer lugar do País acusando a Panarello
de participar de qualquer tipo de máfia
de roubo de cargas. Não há qualquer
investigação sendo efetuada pela
polícia em qualquer Estado nesse sentido.
Não existe nenhuma decisão judicial
contra a Panarello ou mesmo denúncia do
Ministério Público, mesmo indiretamente.
Dinheiro
Como o sr. avalia o trabalho da CPI?
Panarello Nossa empresa apóia
totalmente a CPI, que, no nosso entender, já
está gerando efeitos. O principal deles
é a liberação dos genéricos,
que vai fazer com que os preços baixem
e 50 milhões de brasileiros tenham acesso
aos medicamentos. O setor farmacêutico não
tem o que temer. Os genéricos vão
aumentar o volume de unidades vendidas e também
o faturamento do setor.
Dinheiro
Pesa sobre o sr. também acusação
de evasão fiscal. Sua empresa foi autuada
pela Receita Federal em mais de R$ 100 milhões.
Panarello Se há uma acusação
que pode ser feita contra a empresa é a
de ser um dos maiores contribuintes do País.
A Panarello pagou, nos últimos cinco anos,
quase R$ 500 milhões em impostos. O fato
de serem oficiais, não faz com que os autos
sejam legais. Já há vários
casos de atos da Receita Federal derrubados pelo
Supremo Tribunal Federal porque atentavam contra
a lei. Minha obrigação como administrador
é zelar ao máximo para que o interesse
da empresa seja observado toda vez que haja uma
dúvida sobre a legalidade da cobrança.
Por isso, contratamos ninguém menos que
o ex-secretário da Receita Federal, Osíres
Lopes Filho, um dos maiores especialistas do País,
para nos representar tecnicamente nessa questão.
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