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CHOQUE COMPETITIVO
Escolha sua empresa de energia
Em breve, será possível “comprar” luz de qualquer companhia do País

Mariza Cavalcanti

Foto: AP
FORÇA: Setor deverá atrair, nos próximos
dez anos, investimentos de US$ 60 bilhões

Você já imaginou as máquinas da linha de produção dos carros da Volkswagen, em Taubaté, e as caldeiras da Carbocloro, indústria química localizada em Cubatão, ambas em São Paulo, movidas pela energia gerada na Copel, localizada a quilômetros de distância, no Paraná? Pois isso já está acontecendo. Com a liberação do setor elétrico, grandes indústrias (com demanda média anual de 10 megawatts) como estas duas não são mais obrigadas a fechar contratos com as concessionárias da região onde se situam e nem a cumprir as tarifas estabelecidas pelo governo. As novas regras definidas no processo de desestatização, acelerado a partir de 1998, permitem a livre negociação com os fornecedores. Ao longo dos próximos cinco anos, essa prerrogativa se estenderá a outras companhias (com demanda menor de energia) até chegar ao cidadão comum, que poderá optar se quer conectar as tomadas da casa dele com essa ou aquela fornecedora de energia. “A transformação desse setor será semelhante ao que ocorreu com a área de telecomunicações”, diz Eduardo Bernini, presidente do comitê executivo da Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia (Asmae). “Toda a indústria irá se reorganizar para permitir o livre acesso aos usuários”, acrescenta Bernini.

Pode parecer complicado entender como um consumidor poderá comprar energia de outro Estado, pagando a conta de luz a uma empresa tão distante. No modelo anterior, isso realmente seria impossível. As empresas que atuam no setor, como Copel, Cemig, Cesp, Light e Eletropaulo, respondiam por toda a cadeia – da produção, transmissão e distribuição até a comercialização de energia. Com as mudanças, os sistemas que fazem todas essas etapas funcionar começam a ter um uso comum. Ou seja, as companhias geradoras de energia – como a Copel, por exemplo – poderão usar as linhas de transmissão das empresas que fazem esse tipo de serviço, pagando à proprietária da rede um pedágio por cada watt que passe pela malha. O mesmo vale para a distribuição. Os fios que chegam às residências e às empresas, antes de uso exclusivo das comercializadoras (como Light e Eletropaulo), estarão à disposição de todas as empresas interessadas.

Para tornar essa nova realidade possível, porém, será preciso correr contra o tempo e evitar um mal maior. Desde que deu sinais de recuperação econômica, o País voltou a ser ameaçado pelo fantasma do déficit de energia. Na opinião de Marcos Severine, analista do Banco Sudameris, caso se confirme um crescimento anual de 4% do PIB, o País corre o risco de enfrentar racionamento ou, pior, sofrer com apagões. O vice-presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), João Carlos Rolim, alerta: “Uma interrupção de energia pode não ser sentida dentro de casa, mas basta para derrubar uma linha de produção inteira”. Num esforço para ampliar investimentos no setor, o governo lançou, em fevereiro, programa que estimula a construção de usinas termelétricas, no qual garante a compra pela Eletrobrás de toda energia não absorvida na venda livre. O mercado calcula que o setor elétrico poderá atrair investimentos, nos próximos dez anos, de até US$ 60 bilhões. Além disso, há a iniciativa da Asmae de lançar, em 2001, produtos financeiros lastreados em energia. “Farão parte de mercados de opções e de futuros, por exemplo. Com eles, estaremos criando novas fontes de capital para o setor”, adianta Bernini.

 


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