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LINHA CRUZADA
Será?
British tenta comprar a Telefonica de olho no milionário mercado latino-americano

Juliana Almeida

Foto: Ciete Silverio
LINHA OCUPADA: Nas centrais da Telefónica, a expectativa é grande sobre a possível tacada de
Sir Vallance

Conseguir um passaporte com visto de entrada para o mercado latino-americano. Esta seria a principal motivação da British Telecom para adquirir sua concorrente Telefónica, que conquistou um espaço invejável na região. A notícia do acordo, um negócio estimado em US$ 251,8 bilhões, ganhou destaque mundial a partir de uma reportagem do jornal britânico Sunday Telegraph publicada no domingo,19. Na segunda-feira, 20, a Bolsa de Madri registrou alta de 1,85% nos papéis da Telefónica. Juntas, as duas companhias criariam uma gigante de US$ 42 bilhões, atrás apenas da Vodafone -Mannesmann. Analistas e consultores brasileiros lembram que esta não é a primeira vez que a empresa espanhola enfrenta assédio de rivais. No início do mês, rumores indicavam uma união com a Deutsche Telekom, outra gigante européia.

As empresas evitam comentar o assunto, embora as conversas sobre possíveis fusões sejam cada vez mais freqüentes. Entre as mais importantes companhias de telefonia da Europa, a Telefónica ainda é a menor mas também é a que esta mais avançada no que diz respeito às operações latino-americanas – o que talvez explique a cobiça. A Telefónica passou o ano de 1999 comprando empresas e se fortalecendo em diversas áreas. No Brasil, aumentou sua participação na Telesp, para 19,3%, na TeleSudeste Celular, para 17,6%, e na TeleLeste Celular, para 9%. Também adquiriu 72,6% do capital da Ceterp, de Ribeirão Preto. Já na Telefónica del Peru elevou a participação para 40%. Houve fortalecimento em operações na Áustria, no Marrocos, na Colômbia e na Itália, além dos investimentos feitos nas áreas de mídia e de Internet.

“Com essas aquisições e a entrada em novos mercados, a Telefónica está tentando dificultar sua aquisição por outras empresas européias, que são muito maiores do que ela”, comenta Ana Carolina Gava, analista de telecomunicações do Banco Boavista. Por causa dessas movimentações, o valor de mercado da Telefónica subiu para US$ 95 bilhões, superando a cotação de US$ 82 bilhões da Deutsche e chegando perto da British, que está avaliada em US$ 120 bilhões. Ana Carolina não acredita na concretização da oferta da empresa britânica pela espanhola, mas, “se ela acontecer, os benefícios serão muito maiores para a British”, calcula a analista. Isso porque a Telefónica tem participação em países latino-americanos, onde as taxas de crescimento são muito superiores às médias mundiais, favorecendo diretamente a empresa compradora. No Brasil, a companhia inglesa teria, com a compra, uma estrutura pronta e já adequada ao tamanho do mercado. “É importante lembrar que na Europa a preocupação atual é com a criação de novos produtos e o atendimento ao cliente”, afirma Régio Martins, analista de telecomunicações do Deutsche Morgan Grenfell. “Por aqui, os esforços estão voltados às metas de expansão da rede e oferta de serviços básicos.” Comprar a Telefónica seria sem dúvida uma excelente porta de entrada para a British no Brasil, dizem os analistas. Mas há outros caminhos para a empresa comandada por Sir Iain Vallance, como a Banda C, cuja licitação deverá acontecer em meados de abril, ou esperar até 2002, quando será plena a concorrência em todos os segmentos da telecomunicação. Mas será que esses concorrentes internacionais querem esperar mais dois anos?

 


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