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NOVA
EMPRESA
A retirada dos Ermírio
Empresa
cria uma nova holding para abrigar a família e inicia
a era da profissionalização nos negócios
Mariza
Cavalcanti
| Foto:
JB |
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ÁLBUM:
José (no centro), Ermírio (à dir.)
e
Antonio (à esq.), cercados por filhos. Segunda
e
terceira gerações de uma das mais poderosas
empresas nacionais
|
O
Grupo Votorantim, conglomerado empresarial com ramificação
familiar em três gerações, encontrou uma
saída para o intrincado processo de sucessão.
Até o final do ano, entra em cena a Votorantim Participações,
uma sub-holding que abrigará os quatro principais acionistas
e os 13 filhos varões e viabilizará a retirada
deles do dia-a-dia de negócios que abrangem mais de
50 empresas e cujo faturamento está na casa dos R$
5,4 bilhões. Dentro dela, o clã Ermírio
de Moraes, auxiliado por executivos, passará a definir
as estratégias do grupo. Com tal arranjo, a família
espera contornar os problemas que a sucessão aponta
para o futuro e que passaram a assombrar os dirigentes, principalmente
depois que três acionistas majoritários da Votorantim
os irmãos José Ermírio de Moraes
e Maria Helena Moraes Scripillit, além do marido e
diretor do grupo, Clóvis Scripillit apresentaram
problemas de saúde. A intenção
da família é evitar a disputa em torno do patrimônio
depois que a segunda geração não estiver
mais no comando e tiver que fazer a partilha dos bens,
conta um ex-executivo da corporação, para quem
a estrutura da sub-holding se compara à de um Conselho
de Administração. Nessa sub-holding, ninguém
tem mais poder; todos são iguais. Assim, eles acreditam
que o risco de um possível racha entre os mais de 60
parentes, incluindo as mulheres (que não ocupam qualquer
posição nas empresas), se minimiza.
Desde o final de 1998, a Votorantim Participações
vem sendo silenciosamente montada para ocupar lugar entre
a holding Hejoassu, dirigida pelos quatro maiores acionistas
(além de José e de Clóvis este
último representando a mulher Maria Helena ,
Antonio Ermírio de Moraes e Ermírio Pereira
de Moraes), e as sub-holdings setoriais (cimento, celulose
e papel, mineração e metalurgia, química,
agronegócios e finanças). No escritório
ocupado por José Ermírio, primogênito
do fundador, e sua tropa, na badalada rua Amaury, no Jardim
Paulista, foram destinadas salas a dois homens que ganham
importância crescente no sólido conglomerado.
Um deles é Leon Chant de Kassiani, que fez carreira
no Grupo Santista e há cerca de um ano responde pelo
cargo de diretor de planejamento estratégico da Votorantim
Participações. Não posso me manifestar
em nome do grupo, respondeu à indagação
sobre o papel que passa a desempenhar na corporação.
Está ao seu lado Marcos Arruda, um dos executivos mais
antigos da companhia (cerca de 30 anos de casa), transferido
para a sub-holding para atender a área financeira.
O grupo está ainda à caça de executivos
para as áreas financeira e de recursos humanos. A
Votorantim Participações servirá como
conexão entre os donos e os executivos encarregados
de tocar operacionalmente cada uma das várias empresas
do grupo, conta o ex-executivo. Esses profissionais
têm como papel assessorar a segunda e a terceira geração
da família e garantir que o clã saia efetivamente
do dia-a-dia, passando a ter uma visão mais estratégica
da companhia, explica.
Embora ainda não esteja definido o nome que será
alçado ao posto de presidente da nova holding, dá-se
como certa a indicação de José Roberto
Ermírio de Moraes, filho do primogênito José.
Ele é um dos principais articuladores da nova
holding. Nas reuniões, é sempre apoiado e prestigiado
pelos tios, relata outro executivo que trabalhou na
companhia. Procurado pela DIHEIRO para explicar a reestruturação,
Beto, como é tratado na família, não
respondeu pessoalmente, mas confirmou, por meio da secretária,
a reorganização da direção da
companhia: Não estou autorizado a falar sobre
a reestruturação, pois ainda não foi
concretizada. Só darei entrevista sobre o assunto depois
que ela estiver concluída. Outros representantes
do clã foram procurados, mas não deram resposta:
os irmãos José, Antonio e Ermírio e o
cunhado Clóvis, além dos respectivos filhos.
A solução encontrada para a sucessão
é uma guinada violenta na condução dos
negócios do grupo. A linhagem mais jovem vinha sendo
preparada e testada para assumir os negócios da família.
Cursos no exterior, experiências nas empresas do grupo
e muita dedicação eram cobrados de todos como
passaporte para voar mais alto na companhia. Em 1986 ganharam
a bênção dos pais para realizar reuniões
periódicas mensais, exclusivamente entre eles, para
debater as decisões do grupo. Uma vez por mês,
o Grupo dos Primos, como foi batizado o encontro, se reúne
com os representantes da segunda geração. Eles
debatem as diretrizes, os investimentos e até as transações
de aquisição ou venda de ativos. Mas as conversas
chegam a detalhes como a compra de um helicóptero,
uma discussão que consumiu dias de encontros entre
eles. Uns alegavam que era mais barato viajar de avião
e outros consideravam ostentação. Decidiram
comprar, mas recentemente o venderam, conta um empresário
ligado ao grupo.

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