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JUSTIÇA
Batalha nas trevas
Nahas lidera acionistas contra Santander

Lucia Kassai

Foto: Ricardo Giraldez / Fotomontagem: Hitomi
NOROESTE: Minoritários entraram com onze liminares e mandados na Justiça. Perderam todos.

Um caso que ganhou os jornais na semana passada é um exemplo de como as brigas entre minoritários e controladores nem sempre são confrontos entre o bem e o mal, grandes corporações contra velhinhos indefesos. Na maioria das vezes, trata-se mesmo é de batalhas entre grandões do mercado. A notícia é o processo dos minoritários do Noroeste contra o espanhol Santander, que comprou o banco brasileiro em 1998. Os minoritários contestam o aumento de capital feito pelos compradores (que diluiu sua participação de 28,6% para 6,3%) e reclamam do preço oferecido por suas ações. Já receberam apoios de políticos que vão do PT (o senador Eduardo Suplicy) ao PFL (o deputado federal Elton Rohnelt). Os 20 mil acionistas contestam as decisões do Santander junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central. Até agora, perderam as onze liminares e mandados que impetraram na Justiça.

E quem são os minoritários? O principal deles e um dos articuladores do processo é o especulador Naji Nahas, dono de 74,9% da Companhia Internacional de Seguros (CIS), em processo de liquidação extrajudicial desde 1991. A seguradora possui ações do Noroeste no valor de R$ 33 milhões. O dinheiro é suficiente para pagar as dívidas da CIS e ainda sobram R$ 4 milhões. Ou seja, dependendo do desenrolar do caso Noroeste, a CIS, que era um mico, pode virar um grande negócio para o megadevedor Nahas. Por isso, o libanês naturalizado brasileiro briga para que o Santander eleve o preço de compra das ações, estabelecido em R$ 1,10. Nahas não tem uma contraproposta, mas representantes seus dizem considerar o preço de R$ 3,00 “atraente”. Os espanhóis respondem argumentando que as reclamações não procedem e o preço oferecido é bom. “Temos 800 mil acionistas em todo o mundo e sempre agimos com respeito”, diz Evandro Pagy, diretor de relações institucionais do banco da família Botín.

 


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