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FINANÇAS/EXCLUSIVO
Cartões com QI
Visa inicia esta semana gigantesca operação smart card no Brasil

Ernesto Bernardes

Foto: Biô Barreira
GRIBEL, PRESIDENTE: “Vamos trocar 33% da base da bandeira no País”

A operação começa a ser deflagrada nos próximos dias. Num movimento de proporções sem igual no mundo, o bolso dos brasileiros será invadido por chips. É a chegada, depois de muitos anúncios e muito atraso, dos cartões inteligentes. Em poucos meses, os clientes da Visa no Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza receberão os chamados smart cards, em substituição a seus antigos cartões de crédito e débito com banda magnética. “Vamos trocar 33% da base da bandeira no País”, explica Ricardo Gribel, presidente da Visa. Uma segunda operação, igualmente ambiciosa, começa em seguida. O Bradesco se programa para fazer a troca, em ritmo acelerado, dos 19 milhões de cartões de seus clientes (4,5 milhões de crédito e 14,5 milhões de débito), com o objetivo de se modernizar mais rápido que a concorrência. “Estamos envolvidos com o projeto desde 1995. Agora, queremos implementá-lo”, resume Sidney Nascimento, diretor de cartões de crédito do Bradesco. A operação, batizada pela Visa de Chip Migration (Migração para o Chip) transformará o Brasil no país com maior volume de operações com smart cards no mundo. Contando-se a troca dos plásticos atuais e a adesão prevista de novos clientes, o País deve emitir, em dois anos, mais cartões inteligentes do que todos os que circulam hoje no planeta (são 23 milhões de unidades nas mãos de consumidores, dos quais 12,9 milhões na França, o que mais utiliza a tecnologia). Evidentemente, outros países também trocarão os plásticos magnetizados pelos modelos com circuitos embutidos. Mas isso acontecerá em ritmo bem mais lento. “Na Inglaterra, onde o processo é tocado a todo o vapor, o objetivo é chegar a 50% das operações em três anos”, explica Fernando Castejon, diretor de produtos da Visa brasileira. “Aqui, nesse mesmo período, 90% das operações poderão ser feitas pelo novo sistema”.

Um segredo ajudará a facilitar a migração brasileira. É que o País, que tinha décadas de atraso tecnológico a tirar, foi invadido nos últimos três anos pelas maquininhas eletrônicas de cartão de crédito. Hoje, 110 mil pontos possuem esse tipo de equipamento – e eles são responsáveis por 90% do volume de operações da Visa. Essas máquinas já são compatíveis com os smart cards, e precisam apenas do programa de computador para recebê-los. A instalação dos softwares terminará em três meses. E o que muda com esse novo tipo de cartão? Eles funcionam como disquetes, podendo ser gravados com vários tipos de programas. Além de funções de crédito, débito e porta-moedas eletrônico, podem receber créditos de refeições-convênio, vales-transporte, tickets de pedágio, celulares pré-pagos, programas de fidelidade aérea, seguro-saúde, e podem até servir de identificações para entrada e saída de prédios. Os bancos preparam uma guerra para ver quem oferecerá mais serviços. “Temos três produtos prestes a ser lançados”, confidencia o diretor de um banco paulista que está mais atrasado que o Bradesco na troca dos cartões. E a concorrência não descansa. A Mastercard também planeja a migração para os cartões inteligentes em pelo menos seis bancos, responsáveis por 70% de seu faturamento no País.

 


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