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FINANÇAS INTERNACIONAIS
Nem todos são pobres para Larry
Secretário do Tesouro sugere barrar ajuda do FMI e do Banco Mundial a países emergentes, como o Brasil

Estela Caparelli, de Washington

Fotos: AP
LARRY SUMMERS: Dinheiro barato só para os países mais pobres

Um pronunciamento do secretário do Tesouro americano, Larry Summers, deixou claro, na semana passada, que a autonomia de que gozam instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial (Bird) pode ser profundamente reduzida no futuro próximo. E suas verbas correm o risco de encolher drasticamente. Falando em Nova York ao Conselho de Relações Exteriores, na terça-feira 21, Summers sustentou que o Banco deveria oferecer crédito apenas aos países mais pobres – e cobrar juros mais altos dos governos que estão em melhor situação, como é o caso do Brasil. “O Bird tem atuado nas mesmas áreas em que os bancos privados atuam. É necessário ser mais seletivo”, disse ele. Por trás desse pronunciamento, há um objetivo eleitoral imediato – mostrar ao contribuinte americano, que paga US$ 6 per capita para os fundos internacionais, que o governo democrata de Bill Clinton se preocupa com o dinheiro gasto nos programas de ajuda a países estrangeiros – e um movimento de alcance mais longo. Summers quer tomar ao partido republicano a bandeira de reforma do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, cada vez mais popular entre políticos e economistas americanos.

A intenção de recauchutar, domar e reduzir as chamadas instituições de Washington já tomou forma no Congresso, por meio de um projeto elaborado por uma comissão de acadêmicos, entre eles o economista Jeffrey Sachs. Criada há oito meses e de maioria republicana, a Comissão, pela primeira vez, examinou a fundo os empréstimos do FMI e do Bird. “O secretário do Tesouro gosta de ter seus próprios fundos de campanha (slush funds). Ele usa o FMI e outras instituições como um meio de promover o interesse político americano no mundo”, disse a DINHEIRO o professor Charles Calomiris, da Columbia University, um dos integrantes destacados da Comissão. “Você sabe quando uma instituição é fundamentalmente corrupta. Ninguém está colocando dinheiro no bolso, mas certamente eles não estão fazendo seu trabalho como deveriam.”

Redefinição. O que o projeto defende é a redefinição do papel das duas instituições, com redução do dinheiro gasto por elas. O FMI, por exemplo, emprestaria dinheiro para países com problemas de liquidez momentânea, com sistema financeiro sólido e aberto para estrangeiros. Seriam recursos de curto prazo, de até 120 dias, e que teriam taxa de juros elevada. O que o México faria se a regra valesse em 1994, quando o país teve sérios problemas de liquidez? “Exceções poderiam ser abertas em casos de riscos sistêmicos, mas não podemos subsidiar os países”, diz Calomiris. O Bird, em boa parte dos casos, serviria apenas de consultor. Emprestaria dinheiro apenas para projetos nas áreas de saúde e de meio ambiente. Segundo Calomiris, 60% dos projetos da instituição fracassam. O Banco, claro, rebate, dizendo que, na verdade, 70% dos projetos são um sucesso. “Eles distorceram os números que oferecemos porque já vieram com idéia pré-definida”, diz um membro do Bird em Washington. No encontro semestral do FMI e Bird, que começa no dia 17 de abril, a briga vai esquentar.

 


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