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RECICLAGEM
Este lixo está dando certo
Brasil
é o segundo do mundo em reciclagem
Fabiane
Stefano
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Ciete Silvério |
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LATAS
DE ALUMÍNIO: Catadores de lixo ganham R$ 1,42
por quilo do material coletado
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O
Brasil alcançou uma marca bastante honrosa em 1999:
reciclou 73% das latinhas de alumínio produzidas naquele
ano. É o segundo maior percentual de reciclagem do
mundo, perdendo apenas para o Japão. Foram mais de
5,8 bilhões de embalagens (ou 86 mil toneladas) que,
depois de reprocessadas, voltaram para as prateleiras dos
supermercados. Papel, papelão, vidro também
têm bom desempenho. Já se recicla, por exemplo,
40% da produção de vidro nacional. Na semana
passada, foi lançado um programa de coleta de garrafas
plásticas (PET) nas escolas de Curitiba. As embalagens
que as crianças trazem de casa depois de reprocessadas
vão virar fibra de poliéster, cordas, vassouras.
Ao todo, calcula-se que a indústria da reciclagem,
que tem apenas uma década de existência, movimente
no Brasil US$ 1,2 bilhão ao ano valor que deve
aumentar exponencialmente se for aprovado o plano de renovação
da frota automobilística, que prevê o desmanche
de milhares de automóveis por ano. Existem quatro projetos
de empresas recicladoras já aprovados.
Este ano, o volume de plásticos reciclados vai
dobrar, prevê Hermes Contesimi, porta-voz da Associação
Brasileira do PET. Ao contrário do bem-sucedido exemplo
do alumínio, as garrafas PET têm um índice
de reciclagem em torno de 19%. Apenas 50 mil das 280 mil toneladas
produzidas foram reutilizadas. Mesmo assim, a entidade registrou
crescimento de 30% nas 22 indústrias que reprocessam
o material. Quando não estão emporcalhando as
cidades, os outros 80% do produto vão para os aterros
sanitários. Os dois lixões da cidade de
São Paulo têm capacidade para, no máximo,
dois anos, lembra o economista da USP Sabetai Calderoni.
Há um consenso geral que a reciclagem é viável
economicamente, mas o que existe hoje é fruto da boa
vontade da população ou de organizações
ambientais. Esse improviso faz com que se percam R$ 4,6 bilhões
ao ano em sucata no País, diz Calderoni. Dos cerca
de 5 mil municípios brasileiros, apenas 135 têm
programa de coleta seletiva de lixo. No momento, quem está
cuidando do assunto é o Ministério do Desenvolvimento,
de Alcides Tápias. Muito mal. Segundo o diretor de
Competitividade Empresarial, Marcos Prates, já foram
feitos estudos e tem-se muitas propostas sobre
o tema. Mas ele garante que ainda neste primeiro semestre
terá uma definição sobre a reciclagem
no País.
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