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TURISMO NA WEB
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Como a chegada dos portais de turismo e a presença das companhias aéreas na rede ameaçam as agências de viagem

Juliana Simão

Foto: Biô Barreira
DECOLAR: Portal estreou no Brasil com 200 pacotes promocionais

Desde que a Internet se instalou para ficar, cativando mais de 4 milhões de usuários no Brasil, muita gente está perdendo o sono. São empresários e executivos que tentam prever quem serão os dinossauros do mundo virtual. Nos últimos meses, pelo menos um setor – as agências de turismo – já aparece numa encruzilhada definitiva. Com a chegada, na última semana, do Decolar, o primeiro de uma dezena de portais especializados na venda de passagens e pacotes, e com as principais empresas aéreas vendendo direto na rede, o dilema se instalou: é modernizar-se ou morrer. Daqui há alguns anos, comprar um bilhete aéreo das mãos de um agente será como pedir uma ligação interurbana à telefonista. Em 99, o turismo ocupou a primeira posição em vendas pela rede – batendo a categoria de livros e CDs. Calcula-se que o setor movimentou nos Estados Unidos US$ 7,8 bilhões em 99 e chegará a US$ 30 bilhões em 2004.

O principal fator de mudanças são os grandes portais de turismo. Cinco sites estão em fase de projeto ou testes no País – entre eles o Passaporte Brasil, do banqueiro Aloysio Faria, que recebeu investimentos de R$ 30 milhões. Eles fornecem informações de destinos turísticos, dão dicas de roteiros, apontam a temperatura das principais capitais e vendem direto ao consumidor. As passagens e os comprovantes são entregues em casa. Dos portais, o Decolar (www.decolar.com.br) foi o pioneiro. O site começou oferecendo os serviços de 500 companhias aéreas, 51 mil hotéis, 50 agências de locação de automóveis, além de centenas de pacotes promocionais. O portal surgiu na Argentina em dezembro de 99, recebeu investimentos de US$ 10 milhões e foi para México, Colômbia, Chile e Uruguai. Mas a grande expectativa é que o Brasil seja o principal mercado. “Não temos competidores diretos”, afirma o diretor da empresa no Brasil, Ricardo Meyer Mattos. “O principal desafio é fazer com que o consumidor se acostume a comprar online.”

Sem publicidade. Outro fator que altera o balanço do setor é o investimento de companhias aéreas em sites de reservas e vendas online. Nos Estados Unidos, algumas empresas chegam ao volume recorde de 25% de vendas através do site. No Brasil, a Varig foi a pioneira. Criou a página www.varig.com.br em 1995. No ano passado, sem fazer publicidade, vendeu US$ 1,1 milhão pela Internet – pouco menos de 1% de seu faturamento total. Até 2001 quer alcançar 4%. “Já existe consenso de que esse canal vai crescer”, afirma Marcelo Nacif, consultor da Varig para comércio eletrônico. A certeza é tanta que a Varig entrou numa guerra contra agentes de viagem – e diminuiu de 10% para 7% o comissionamento que dava a agências. A única companhia que está longe da rede é a Vasp, mas garante que em três meses vai implantar um projeto-piloto de vendas online.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav), que congrega 6.053 empresas do setor, confirmou o dado que analistas já suspeitavam: 48% das agências nacionais já têm sites na Internet. O grande problema é que apenas 1% faz a venda online. “A Internet é aliada e não inimiga dos agentes”, garante o presidente da Abav, Goiaci Guimarães. “Vamos aprender a trabalhar com ela.” Uma das experiências de sucesso é o Turismonet (www.turismonet.com.br), da editora Panrotas. Ela lançou um sistema que coloca o internauta em contato com uma rede de 40 agentes de viagem. Ao entrar no site, ele viaja por pacotes e informações, verifica preços e solicita uma intenção de compra. Três agentes de viagem que trabalham com aquele roteiro recebem a informação e contatam o cliente. O retorno está em 6%. Por enquanto.

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