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EDITORIAL
Bush enxerga
os latinos
George W. Bush, o filho, enxerga a América Latina mais
próxima dos EUA, ao contrário do seu adversário
nas urnas, o democrata Al Gore. Gore está preocupado em
crescer o mercado interno, investir na produção
local e, por conseqüência, apoiar o surto protecionista
com maior ênfase, embora atuando com a discrição
que o assunto merece. Bush filho tem a herança teórica
do pai, que sempre pontificou sobre o crescimento em bloco das
economias ocidentais. O bloco do Nafta, o bloco da Alca, do Mercosul,
num extenso cordão de união das Américas,
foi a eterna plataforma sua. Bush pai, depois de deixar a Casa
Branca, iniciou cruzadas de aproximação por países
da região. Mexico, Chile, Argentina, Brasil inclusive,
ouviram apelos de união para competir no mercado globalizado.
Clinton levou os louros pela defesa do Nafta e da Alca, mas foi
Bush no Congresso e sua bancada republicana quem mais trabalharam
pela idéia. Bush filho bebe da mesma fonte de princípios
até porque vê no pai um modelo a ser perseguido.
Bush filho quer corte de impostos, da burocracia operacional e
entraves que dificultam o comércio multilateral. Espera
encontrar nos parceiros da América coadjuvantes de um jogo
que o projete no mundo. Tem ambição de estadista.
Mas enfrenta um páreo duro com Al Gore, que é herdeiro
do projeto de exuberância econômica desenhado por
Clinton. Ao mundo interessa ver um EUA mais em sintonia com os
demais países. À América Latina, em especial,
a abertura maior da porta pelas mãos de George Bush pode
ser a redenção para afastar de vez o fantasma de
países costumeiramente prestes ao colapso financeiro. A
bandeira de aproximação, via formação
em bloco e moeda única, é que ainda encontra resistência
por parte de governos como o brasileiro. O temor é de uma
nova colonização, desta vez pela arma da moeda.
Mas Bush é, assim mesmo, a melhor opção para
a torcida dos interessados de cá.
Carlos José Marques
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