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O leilão do Finasa
Na surdina, Gastão Vidigal põe seu banco à venda

Ernesto Bernardes e Lucia Kassai

Foto: Fabiano Accorsi/Folha
VIDIGAL: Cinco propostas pelo banco, cujo valor é estimado em US$ 1,5 bilhão

Há cinco décadas o advogado Gastão Eduardo Bueno Vidigal, 81 anos, comanda um dos bancos mais tradicionais do País, o Mercantil Finasa. Curvado sob o peso da idade e do derrame sofrido há alguns anos, ele despacha quatro horas por dia no escritório que mandou montar em sua casa. É ali, no espaço que tem a exata disposição de sua antiga sala na Avenida Paulista, que ele tomará a decisão mais importante de sua vida – a venda do banco fundado por seu pai há 61 anos e eleito em 1993 um dos mais seguros do mundo pela revista The Banker, a Bíblia do setor. Nos últimos meses, ofertas pelo seu negócio vieram em avalanche. Bradesco, Itaú, Unibanco, BBV, Santander e HSBC fizeram propostas. Vidigal, com seu estilo cauteloso, está operando na surdina um leilão tão concorrido quanto o do Banespa. Por enquanto, as maiores chances estão com os candidatos nacionais. A compra deve ser feita por troca de ações, e Vidigal prefere ser acionista de uma empresa brasileira, em que não seria apenas mais um minoritário.

O leilão é suficiente para mudar o ranking do sistema financeiro. A aquisição do Finasa, com 204 agências e patrimônio líquido de R$ 1 bilhão, seria suficiente para fazer o Itaú passar o Bradesco no primeiro lugar. Ou colocar o banco da Cidade de Deus numa dianteira tão folgada que, mesmo comprando o Banespa, o único concorrente em condições de ultrapassá-lo seria o Itaú. Mas não é apenas por isso que o Finasa é disputado. Para os estrangeiros, trata-se de uma das poucas opções de compra limpas, sem micos e com uma estrutura razoável que ainda restam. Para os nacionais de varejo, ele tem uma carteira de correntistas mais endinheirada que a média. Seu comprador poderia oferecer a marca como uma grife, como o Itaú fez com o BFB. Vidigal também tem motivos para vender. Não que o banco passe por dificuldades – pelo contrário, garante a ele o posto de um dos homens mais ricos do Brasil, segundo a revista Forbes. É que, apesar de eficiente, o Finasa precisa ganhar escala para ser viável no futuro. Depois de ter sido o maior banco privado do País nos anos 60, hoje ele ocupa o 14º lugar em patrimônio líquido. Além disso, o patriarca tem problemas de sucessão. “Gastão não acredita que seus herdeiros possam tocar o negócio como ele gostaria”, diz um analista do mercado. Procurado para comentar as informações obtidas com exclusividade por DINHEIRO, Vidigal e os diretores do banco preferiram silenciar.

Extremamente centralizador, Vidigal administra o banco controlando até o dinheiro gasto com selos e clipes e mandando diariamente dezenas de ordens escritas à mão, por fax. Negociou pessoalmente a venda de 50% da Finasa Seguradora para o grupo suíço Zurich Financial Services, o sétimo maior grupo ressegurador do mundo, em dois anos de conversações. No início de 1998, o presidente mundial da Zurich, Rolf Hüppi, veio ao Brasil para uma conversa preliminar. Voltou meses depois para fechar negócio. Vidigal deu para trás. Hüppi voltou em agosto do mesmo ano, com um contrato debaixo do braço, mas novamente deu com a porta fechada. Foi apenas em 1º de março de 2000 que Vidigal cedeu. Uma fonte próxima da diretoria do banco diz que o Zurich pagou US$ 50 milhões. Pelo banco, o patriarca estaria pedindo trinta vezes mais.

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