|
CAPA
A
rota do Submarino
Maior
site de comércio brasileiro vai entrar nos EUA e lançar
ações na Nasdaq
Lino Rodrigues
| Foto:
Ciete Silvério |
 |
| BALLONA:
Marketing agressivo e preços baixos para alvejar os
concorrentes abaixo da linha dágua |
A tripulação do Submarino, a multinacional de
comércio eletrônico brasileira com operações
na Argentina, México e Espanha, está em alvoroço.
São 10 horas da manhã da quarta- feira, 16 de fevereiro,
e as mais de 100 pessoas que trabalham no QG brasileiro da empresa,
na Vila Olímpia, em São Paulo, estão preparando
a melhor rota para chegar em segurança a um destino inédito.
No periscópio, está a Bolsa de Nova York, onde os
papéis do Submarino começarão a ser negociados
no final de agosto. É o famoso IPO, sonho de 9 em cada
9 empreendedores que se lançam nas ondas da Internet.
No sonar, o comandante, Antonio Bonchristiano, presidente da empresa,
vislumbra pelo som das pesquisas um mar de dinheiro e um mercado
de milhões de novos compradores. Só nos Estados
Unidos, são mais de 7 milhões de pessoas de língua
hispânica, a maioria com mais de cinco cartões de
crédito. Antes do IPO, haverá o lançamento
da marca e das operações nos Estados Unidos e em
Portugal. Ele foi garantido no mês passado por um aporte
de capital de US$ 71,3 milhões, conseguido junto a um grupo
de dez investidores liderado pelo T.H. Lee Putnam Internet Partners.
A idéia é conquistar o maior número de clientes
do serviço mais popular da Internet: a compra de livros,
CDs e brinquedos. Desde que começou a operar, em novembro
do ano passado, o Submarino captou mais de US$ 90 milhões
de investidores, e pode ser apontado, sem exageros, como o maior
sucesso do comércio virtual brasileiro.
Em dezembro, a empresa faturou R$ 1,5 milhão, embalada
pelo Natal. Foram entregues mais de 60 mil produtos, ao ritmo
de 2 mil por dia. Em janeiro, mês de ressaca no comércio,
o Submarino faturou R$ 1 milhão. Nada mau para quem recém
submergiu nas águas da Internet e ainda enfrenta o prejuízo
operacional que é a marca registrada das empresas da rede.
A companhia fechou 99 com R$ 30 milhões no vermelho. Seus
fundadores garantem que isso é provisório. Nascemos
na Internet e vamos revolucionar o varejo, afirma o sócio-diretor
de marketing Marcelo Ballona, um economista mineiro de 29 anos
que passou por Mandic e Yahoo!, adora correr de motocicleta e
dá expedientes de 13 horas.
O sucesso do negócio está ancorado na ousadia de
seis jovens que largaram carreiras em grandes empresas para se
aventurar na rede e hoje detêm 18% da companhia avaliada
pelo mercado em US$ 500 milhões. Bonchristiano, de 32 anos,
migrou do GP Investimentos, que ainda detém 30% do negócio,
com a tarefa de tornar o Submarino a Amazon brasileira. Os sócios
majoritários hoje são os investidores estrangeiros.
Os seis sócios conseguiram reunir US$ 600 mil, mais US$
2 milhões bancados pela própria GP Investimentos.
Com o dinheiro, compraram, em julho do ano passado, a Booknet,
a primeira livraria virtual brasileira. De julho a outubro, numa
pequena sala cedida pela GP, uma equipe de nove pessoas preparou
o lançamento do site. Foram três meses de muito trabalho,
em média 17 horas por dia, inclusive nos sábados
e domingos. No dia 3 de novembro, a equipe comemorava o fim da
Booknet e o surgimento do Submarino. Além do Brasil, a
empresa estreava na Espanha. Em dezembro vieram Argentina e México.
Foi assim que o Submarino entrou nas águas do novo milênio.
Agora, além da abertura de negócios nos Estados
Unidos e Portugal prevista para final de março
seus tripulantes querem aumentar as vendas e ampliar o leque de
produtos. Em breve a empresa começa a vender fitas de vídeo
e DVD e telefones celulares. O comércio online não
é diferente das lojas, diz Ballona. Temos de
oferecer muitos produtos com preços competitivos.
Ballona foi o responsável pela definição
do nome da companhia e teve que ficar quatro dias em Manaus convencendo
um apaixonado por submarinos a vender o domínio que havia
registrado nos Estados Unidos: Fiquei quatro dias enchendo
o saco do cara. No quinto dia, ele me chamou e perguntou aonde
tinha que assinar para eu sumir da frente dele. O Submarino
também está entrando no mercado de material de escritório.
Na semana passada, foi anunciada a compra do controle acionário
do portal argentino Office Net, principal fornecedora de suprimentos
para empresas. O negócio, adquirido por US$ 30 milhões,
vai abrir mercado numa área inexplorada na Internet brasileira.
Vamos ser uma Kalunga digital, compara Ballona. A
versão em português da OfficeNet será independente
e deverá entrar no ar em julho.
O crescimento rápido do Submarino ainda é pouco
frente ao desafio que a empresa tem que enfrentar. Em silêncio,
o comandante Bonchristiano e toda a tripulação preparam
o grande salto da empresa. Até o final de agosto, ela deve
abrir seu capital na Nasdaq, a bolsa americana de tecnologia.
Até lá, a ordem é disparar torpedos no mercado
americano leia-se produtos para consumidores cubanos e
porto-riquenhos e melhorar a logística de distribuição
na América Latina. A empresa também acaba de fechar
um contrato de exclusividade com a MTV para vender CDs e vídeos
apresentados pela emissora. O sucesso do Submarino é baseado
numa agressiva estratégia de preços, conseguida
por acordos com os mais de 3 mil fornecedores. O resultado vem
incomodando. Eles não estão fazendo tanto
sucesso assim, desdenha José Luiz Próspero,
diretor da Livraria Saraiva. Eles não têm logística
e praticam dumping, ataca Bruno De Carli, diretor de Internet
da Livraria Siciliano. Ballona se defende argumentando que as
livrarias tradicionais se acostumaram com margens nas nuvens.
Agora, estão sofrendo com a migração de consumidores
para a rede: Eles estavam mal acostumados. Nossa preocupação
é com o consumidor. A preocupação dos
concorrentes já se nota é com eles.
O Submarino está na rota.

|