16 de fevereiro de 2000 - nº 129 









MOEDA FORTE
Estela Caparelli (Interina)

FIM DO ARTIFÍCIO
A partir de março, R$ 130 bilhões em empréstimos vão sumir do sistema financeiro. É que o Departamento de Normas do Banco Central, comandado por Sérgio Darcy, vai obrigar os bancos a retirar dos balanços um item conhecido como renda apropriada. Essa conta só servia para engordar contabilmente as dívidas, já que eram referentes a créditos que nunca seriam cobrados. Com a mudança, os bancos não vão poder mais dar a desculpa de que não podem oferecer dinheiro porque estão com a carteira de empréstimos lotada.

FALHA NOSSA
Everardo Maciel, da Receita, terá que engolir a mudança no Refis, o mecanismo de refinanciamento de dívidas de empresas com o governo. Na redação original, o Refis exigia ativos iguais ao tamanho da dívida. A exigência de garantias será baixada para 50% do valor do débito.

NOVO PROJETO
Pierre Landolt, membro da família que fundou a francesa Sandoz e dono do Banco Axial, está de projeto novo. Vai produzir alimentos orgânicos em escala industrial em uma fazenda localizada em Patos, no Paraná. A primeira leva de queijos ecológicos já tem destino certo: as prateleiras do Carrefour.

DOSE DUPLA
O gigante argentino de investimento Exxel já escolheu seu segundo investimento no Brasil. Uma semana depois de anunciar uma parceria com a InternetCo, os estrangeiros decidiram abocanhar outra empresa de internet brasileira. Curiosamente, vão abocanhar 70% do Garage, um site de projetos de investimentos na área de internet, criado pela mesma InternetCo.

AGORA VAI
A Inepar está preparando os detalhes para o anúncio de associação com uma empresa de energia estrangeira. A companhia paranaense já administra as distribuidoras Cemat e Celpa.

ÓLEO DERRAMADO
A Odebrecht tem mandado sucessivos recados ao governo federal, de que está disposta a brigar feio para não deixar que Paulo Cunha, do grupo Ultra, assuma a Copene. Executivos ligados à empresa afirmam ter apoio estrangeiro para a luta.

FOR IMPORT
As novas gerações de empresários brasileiros que comandam companhias de médio porte estão de olho no comércio internacional. A demanda é tão grande que a Eximbank americano decidiu oferecer, por meio da NetPlan, uma linha de financiamento de importações com valores entre US$ 150 mil e US$ 300 mil. Até então, as linhas disponíveis eram acima U$ 300 mil.

SEM LINHA I
Não foi apenas para reorganizar suas estruturas que a Telefonica decidiu propor a troca das ações da Telesp pelos papéis de sua holding na Espanha. O que a empresa pretendia, na verdade, era aumentar a rentabilidade do grupo ao ficar com ações que prometem uma valorização muito maior. É a opinião de João Alberto Bernacchio, vice-presidente da Abamec Nacional.

SEM LINHA II
A Abamec, que reúne analistas das empresa de capital aberto, está pressionando as empresas de telefonia a fornecerem mais informações. Muitos profissionais vêm reclamando da falta de transparência de companhias recém-privatizadas.

FUMAÇA
A polêmica em torno da guerra das bebidas abafou uma importante decisão do governo sobre outro setor oligopolizado, o dos cigarros. A Secretaria de Acompanhamento Econômico divulgou parecer favorecendo a Phillip Morris, fabricante do Marlboro, em sua briga contra a Souza Cruz, que acusa de exigir contratos de exclusividade nos pontos de venda. O assunto ainda irá ao Cade.

RECUPERAÇÃO
Com o fantasma da crise brasileira temporariamente afastado, as bolsas latinas sobem com força. As sete principais bolsas da região tiveram alta de 30%, em dólares, no ano passado, segundo a Economática. Na vigorosa Bolsa de Nova York, a valorização foi de 25%.

BONS PAGADORES
O brasileiro está voltando a pagar as contas em dia. Um exemplo disso é a Globex, dona da rede varejista Ponto Frio. O índice médio dos calotes na empresa caiu para 4,6% no quarto trimestre, um percentual menor que os 6,1% do ano passado.

Com Luis Fernando Sá, Nelson Rocco, Sérgio Leo e Sérgio Lírio

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